{"id":6837,"date":"2019-06-25T16:33:33","date_gmt":"2019-06-25T19:33:33","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6837"},"modified":"2019-06-25T16:33:33","modified_gmt":"2019-06-25T19:33:33","slug":"brasil-fica-para-tras-na-inovacao-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/brasil-fica-para-tras-na-inovacao-tecnologica\/","title":{"rendered":"Brasil fica para tr\u00e1s na inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<div>Quase todos os setores produtivos relevantes para o desenvolvimento da economia, de industriais a servi\u00e7os, est\u00e3o bem longe da chamada fronteira tecnol\u00f3gica no Brasil. Em outras palavras, apresentam baixo n\u00edvel de investimento em pesquisa. De 37 segmentos analisados num levantamento feito pelo pesquisador Paulo Morceiro, do N\u00facleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de S\u00e3o Paulo (Nereus-USP), apenas cinco ultrapassam essa fronteira. No outro extremo, um dos piores desempenhos \u00e9 o de desenvolvimento de softwares, que est\u00e1 na ponta do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico no mundo.<\/p>\n<p>No trabalho do pesquisador, a fronteira \u00e9 definida pela taxa m\u00e9dia do que os setores de alta, m\u00e9dia e baixa tecnologia investem em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), \u00f3rg\u00e3o multilateral em que o Brasil aspira um assento.<\/p>\n<p>&#8220;O pa\u00eds est\u00e1 distante na pesquisa e desenvolvimento, seja nos segmentos de alta, seja nos de baixa intensidade tecnol\u00f3gica&#8221;, diz Morceiro, cujo trabalho se baseia em informa\u00e7\u00f5es da Pesquisa de Inova\u00e7\u00e3o (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), e de dados colhidos via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o sobre os recursos investidos por organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como Embrapa, Fiocruz e institutos da Marinha e da Aeron\u00e1utica. O trabalho foi feito em parceria com Milene Tessarin, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe).<\/p>\n<p>No mundo, o &#8220;fil\u00e9 mignon&#8221; do desenvolvimento tecnol\u00f3gico \u00e9 realizado por apenas 13 setores dos grupos de alta e m\u00e9dia-alta tecnologia, que re\u00fanem a produ\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es, desenvolvimento de sistemas (softwares), produtos farmac\u00eauticos, inform\u00e1tica e eletr\u00f4nicos, armas e muni\u00e7\u00f5es, autom\u00f3veis, m\u00e1quinas e equipamentos, qu\u00edmicos, servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o, entre outros. Deles, dez pertencem \u00e0 ind\u00fastria, e tr\u00eas, aos servi\u00e7os. No Brasil, os segmentos que mais investem em P&amp;D &#8211; como o de fabrica\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es e o farmac\u00eautico &#8211; s\u00e3o os mesmos da OCDE. As diferen\u00e7as s\u00e3o a magnitude e a origem do investimento. Enquanto no caso brasileiro, a maior parte (60%) do aporte \u00e9 feita pelo Estado por meio das universidades p\u00fablicas, autarquias e institutos de pesquisa, no grupo dos pa\u00edses mais ricos, cerca de 75% dos investimentos t\u00eam origem no setor privado. Os pa\u00edses da OCDE respondem por cerca de 80% da pesquisa e desenvolvimento no mundo. Fora do grupo, o pa\u00eds mais relevante na \u00e1rea \u00e9 a China.<\/p>\n<p>Olhando apenas para os segmentos de alta intensidade tecnol\u00f3gica, os pa\u00edses da OCDE investem em P&amp;D 24% do valor adicionado bruto em equipamentos de inform\u00e1tica, eletr\u00f4nicos e \u00f3ticos, enquanto no Brasil essa parcela \u00e9 de 10%. Em produtos farmac\u00eauticos, a OCDE chega a 28%, contra 5% no Brasil. Em outros equipamentos de transporte, que inclui a produ\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es e a constru\u00e7\u00e3o naval, o percentual do bloco \u00e9 de 20%, quase o dobro do brasileiro (10,7%). \u00c9 ali que est\u00e1 classificada a Embraer, por exemplo.<\/p>\n<p>No segmento de desenvolvimento de softwares, classificado em servi\u00e7os, a diferen\u00e7a \u00e9 gigantesca, com uma parcela de 29% do valor adicionado bruto do setor investida em P&amp;D na m\u00e9dia das na\u00e7\u00f5es da OCDE, para apenas 4,5% no Brasil. &#8220;Este \u00e9 o segmento em que o pa\u00eds deveria estar caminhando mais. Ali est\u00e1 o n\u00facleo da transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do mundo e e da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial&#8221;, diz Morceiro. No mundo, \u00e9 onde entram Microsoft, Oracle, Alphabet (Google) e SAP, observa o pesquisador.<\/p>\n<p>Classificado como de m\u00e9dia-alta tecnologia, o segmento de ve\u00edculos automotores e autope\u00e7as, que no Brasil tem grande peso econ\u00f4mico, investe 6% de seu valor adicionado bruto em P&amp;D no Brasil, contra 15,4% na m\u00e9dia da OCDE. &#8220;No Brasil h\u00e1 um predom\u00ednio de empresas internacionais que &#8216;tropicalizam&#8217; tecnologias criadas l\u00e1 fora, fazendo uma adapta\u00e7\u00e3o para as condi\u00e7\u00f5es brasileiras&#8221;, diz o pesquisador. Em outros segmentos como o farmac\u00eautico, que importa parte dos princ\u00edpios ativos, e o de eletr\u00f4nicos, ocorre o mesmo. &#8220;Na Zona Franca de Manaus o pa\u00eds d\u00e1 subs\u00eddio para montar pe\u00e7as que v\u00eam de fora. A gente n\u00e3o desenvolve tecnologia na maioria dos setores&#8221;, afirma Morceiro, para quem uma das causas desse cen\u00e1rio s\u00e3o as falhas da pol\u00edtica industrial nacional.<\/p>\n<p>No caso das empresas instaladas na Zona Franca, Morceiro diz que existe uma exig\u00eancia de contrapartida de investimento em troca do benef\u00edcio tribut\u00e1rio dado pelo governo, mas o resultado final n\u00e3o \u00e9 claro. &#8220;Quando olhamos a Pintec [pesquisa sobre inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do IBGE feita a cada quatro anos], vemos que ali se investe pouco&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O setor de qu\u00edmicos, classificado como de m\u00e9dia-alta tecnologia, \u00e9 um dos poucos em que o pa\u00eds se sobressai, com o equivalente a 8,1% do valor adicionado bruto investido em pesquisa e desenvolvimento, ante 6,5% na OCDE, em grande medida por causa do segmento de cosm\u00e9ticos e perfumaria. Aqui, faz diferen\u00e7a a presen\u00e7a de grandes empresas nacionais, como a Natura.<\/p>\n<p>Em quatro setores com menor intensidade em P&amp;D o Brasil est\u00e1 \u00e0 frente da OCDE: servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica, como eletricidade e g\u00e1s; ind\u00fastria extrativa; agropecu\u00e1ria e metalurgia. Nos tr\u00eas primeiros, a pesquisa realizada por institutos p\u00fablicos de pesquisa desempenha um peso significativo. &#8220;O Brasil destaca-se nos setores intensivos em recursos naturais. Mesmo o setor qu\u00edmico depende desses recursos na parte de qu\u00edmicos org\u00e2nicos&#8221;, diz. Para Morceiro, al\u00e9m de estimular parcerias entre universidades e empresas para desenvolver pesquisa em \u00e1reas de interesse nacional, o governo deveria fortalecer &#8211; via estabilidade na aloca\u00e7\u00e3o de recursos &#8211; institutos p\u00fablicos como a Fiocruz e a Embrapa, para melhorar a \u00e1reas em que o pa\u00eds j\u00e1 \u00e9 competitivo.<\/p><\/div>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\">FONTE:\u00a0VALOR ECON\u00d4MICO<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase todos os setores produtivos relevantes para o desenvolvimento da economia, de industriais a servi\u00e7os, est\u00e3o bem longe da chamada fronteira tecnol\u00f3gica no Brasil. Em outras palavras, apresentam baixo n\u00edvel de investimento em pesquisa. De 37 segmentos analisados num levantamento feito pelo pesquisador Paulo Morceiro, do N\u00facleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de&#8230; <\/p>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/brasil-fica-para-tras-na-inovacao-tecnologica\/\" class=\"excerpt-read-more\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-6837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6837"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6838,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6837\/revisions\/6838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}