{"id":6679,"date":"2019-02-25T13:30:58","date_gmt":"2019-02-25T16:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6679"},"modified":"2019-03-05T14:37:01","modified_gmt":"2019-03-05T17:37:01","slug":"ou-voltamos-a-crescer-com-estabilidade-ou-afundamos-na-mediocridade-diz-jose-roberto-mendonca-de-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/ou-voltamos-a-crescer-com-estabilidade-ou-afundamos-na-mediocridade-diz-jose-roberto-mendonca-de-barros\/","title":{"rendered":"Ou voltamos a crescer com estabilidade ou afundamos na mediocridade, diz Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros"},"content":{"rendered":"<h3>Economista diz que, sem reforma da Previd\u00eancia, empresas e pessoas voltar\u00e3o ao modo de sobreviv\u00eancia<\/h3>\n<p>O economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros diz n\u00e3o ter d\u00favidas: se o Congresso n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia, o Brasil voltar\u00e1 para a recess\u00e3o, que castigou o pa\u00eds do segundo trimestre de 2014 at\u00e9 o fim de 2016.<\/p>\n<p>Um dos analistas que mais conhecem a realidade do ch\u00e3o de f\u00e1brica, ele afirma que as pessoas est\u00e3o muito machucadas, com medo de gastar, e que os empres\u00e1rios que viram a fal\u00eancia de perto n\u00e3o v\u00e3o investir se n\u00e3o estiverem muito seguros.<\/p>\n<p>\u201cNunca foi t\u00e3o claro que estamos diante de uma bifurca\u00e7\u00e3o. Ou voltamos a crescer com estabilidade ou afundamos de novo na mediocridade\u201d, disse Mendon\u00e7a de Barros, s\u00f3cio da MB Associados e ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda no governo FHC.<\/p>\n<p>Ele projeta crescimento de 2% para este ano e de 3% para 2020, se o governo aprovar a reforma ao mesmo tempo em que promove programa de concess\u00f5es de infraestrutura.<\/p>\n<p>Analistas reduziram para cerca de 2% suas estimativas para o crescimento do PIB neste ano. Por que a economia continua patinando?\u2002Desde a greve dos caminhoneiros, em maio passado, a retomada vem sendo muito fraca. E, quanto mais tempo passa, piora. Um n\u00famero enorme de empresas est\u00e1 no que chamo de &#8220;modo de sobreviv\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>O que \u00e9 isso? A empresa corta todas as despesas poss\u00edveis, demite gente \u00e0 be\u00e7a, atrasa imposto, n\u00e3o paga em dia a seus fornecedores, senta com o banco mais de uma vez para renegociar d\u00edvida.<\/p>\n<p>Em paralelo, as mudan\u00e7as nos modelos de neg\u00f3cio de diferentes setores continuam a toda velocidade por causa da digitaliza\u00e7\u00e3o. Se a companhia est\u00e1 em modo de sobreviv\u00eancia e n\u00e3o incorpora mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, suas chances de recupera\u00e7\u00e3o diminuem. Isso \u00e9 um peso para a economia.<\/p>\n<p>A greve dos caminhoneiros teve um efeito enorme, porque quebrou a espinha das expectativas. Depois de uma recess\u00e3o que vinha desde 2014, era a primeira vez que a situa\u00e7\u00e3o parecia melhor. Agora vamos precisar de um evento ainda mais importante para resgatar o otimismo.<\/p>\n<p>O que poderia ser esse evento?\u2002Os agentes econ\u00f4micos est\u00e3o associando uma melhora objetiva na situa\u00e7\u00e3o \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia. Fazem o seguinte racioc\u00ednio: s\u00f3 vou fazer projetos novos quando souber que vai ser aprovada a reforma.<\/p>\n<p>Houve muita resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a no sistema de aposentadorias no governo Temer, mas isso teve um efeito importante de enfraquecer o poder das burocracias. Ficou muito claro que a remunera\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico produz uma gigantesca desigualdade.<\/p>\n<p>No setor privado, a aposentadoria m\u00e9dia \u00e9 de R$ 1.500. No p\u00fablico, pode chegar a R$ 30 mil. Quem s\u00e3o esses servidores? A alta classe m\u00e9dia. A reforma \u00e9 o in\u00edcio da redu\u00e7\u00e3o dessa desigualdade.<\/p>\n<p>Outra coisa que esclareceu bem a import\u00e2ncia da reforma foi a contribui\u00e7\u00e3o da sociedade civil. Tivemos propostas de Arm\u00ednio Fraga, de Paulo Tafner, de Fabio Giambiagi, da Fipe. Todas foram na mesma dire\u00e7\u00e3o e mostraram por que a reforma \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7a a recupera\u00e7\u00e3o?\u2002Este ano vai ser um pouco melhor que 2018, mas n\u00e3o muito. Um crescimento mais robusto viria em 2020. S\u00f3 que, para voltar a crescer, precisamos da reforma da Previd\u00eancia \u2014\u00e9 o come\u00e7o e a parte mais dif\u00edcil do ajuste fiscal\u2014 e do sucesso dos leil\u00f5es de concess\u00e3o.<br \/>\nConcess\u00f5es feitas nos pr\u00f3ximos meses se transformar\u00e3o em canteiros de obra e em encomendas de m\u00e1quinas no ano que vem. E a\u00ed sim teremos efeito no PIB. N\u00e3o falta dinheiro para obras de infraestrutura, mas regula\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Se tivermos um programa de concess\u00f5es robusto, vai aumentar o investimento e incentivar a constru\u00e7\u00e3o civil, que \u00e9 fundamental para recuperar o emprego. \u00c9 o \u00fanico setor que afeta o pa\u00eds inteiro. Al\u00e9m disso, s\u00e3o obras parrudas que demandam muita gente.<\/p>\n<p>Logo, se a reforma for aprovada e vierem obras de infraestrutura, o pa\u00eds poder\u00e1 crescer 3% em 2020. Nesse caso, ter\u00edamos o refor\u00e7o de outros pontos positivos. Com a economia se recuperando devagar, n\u00e3o haver\u00e1 press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o e os juros v\u00e3o cair.<\/p>\n<p>E se o Congresso n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia ou esvaziar significativamente seus efeitos?\u2002Se n\u00e3o fizemos a reforma, o Brasil voltar\u00e1 para a recess\u00e3o. N\u00e3o tenho a menor d\u00favida. Viram as expectativas e volta todo o mundo \u2014empresas e consumidores\u2014 para o tal modo de sobreviv\u00eancia, reduzindo a demanda.<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o machucadas e com medo de gastar. O trabalhador olha para o lado, e seu antigo companheiro n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1.<\/p>\n<p>Nas empresas, \u00e9 a mesma coisa. O empres\u00e1rio que viu a fal\u00eancia de perto n\u00e3o vai sair f\u00e1cil da zona de conforto. Ele tem que estar muito convencido de que o pa\u00eds vai voltar a crescer para investir. E, mesmo quando o crescimento vier, algumas empresas quebrar\u00e3o, pois est\u00e3o t\u00e3o fragilizadas que n\u00e3o v\u00e3o acompanhar a recupera\u00e7\u00e3o do mercado.<\/p>\n<p>Do meu ponto de vista, nunca foi t\u00e3o claro que temos o que no interior se chama de p\u00e9 de galinha \u2014uma bifurca\u00e7\u00e3o. Ou voltamos a crescer com estabilidade ou afundamos de novo na mediocridade.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es podem ajudar a retomar o crescimento?\u2002No fim deste ano, a economia internacional vai estar pior do que agora. A Europa tem um risco enorme de caminhar para uma recess\u00e3o. Os Estados Unidos v\u00e3o desacelerar, mesmo com o Fed (Federal Reserve, banco central americano) mudando um pouco a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A China tamb\u00e9m est\u00e1 indo mais devagar, e boa parte do mundo emergente vai mal \u2014\u00c1frica do Sul, Turquia etc.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio internacional n\u00e3o est\u00e1 afundando o Brasil, mas n\u00e3o vai nos puxar pelos cabelos. S\u00f3 vamos voltar a crescer por raz\u00f5es dom\u00e9sticas. O que nos traz de volta a reforma da Previd\u00eancia e as concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es como \u00fanica forma de voltar a crescer.<\/p>\n<p>O sr. tem receio de que a reforma da Previd\u00eancia seja desidratada no Congresso?\u2002O governo est\u00e1 certo em pedir uma reforma completa e ousada com uma economia acima de R$ 1 trilh\u00e3o em dez anos. Se vier uma reforma que economiza R$ 500 bilh\u00f5es ou abaixo disso, \u00e9 insuficiente e ser\u00e1 uma gigantesca frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que a sociedade est\u00e1 convencida da import\u00e2ncia da reforma. Se fecharmos os olhos e nos lembrarmos da resist\u00eancia barulhenta dos servidores e compararmos com o sil\u00eancio sepulcral de hoje, \u00e9 clara a perda de poder. Minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o g\u00e1s desse pessoal diminuiu muito.<\/p>\n<p>O fiasco dos governos do PT e a recess\u00e3o tiraram a legitimidade das grandes corpora\u00e7\u00f5es do setor p\u00fablico. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel para as carreiras jur\u00eddicas, por exemplo, defender sua aposentadoria nos moldes atuais.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os governos transformaram o emprego p\u00fablico de n\u00edvel superior em algo maravilhoso. Qualquer garoto entrava ganhando R$ 20 mil, sem possibilidade de ser demitido. Isso n\u00e3o existe em nenhum lugar do mundo e foi feito em tal volume que se tornou invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>S\u00f3 que obviamente a batalha \u00e9 no Congresso. Houve uma renova\u00e7\u00e3o grande, e n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil saber o que isso significa em termos de Previd\u00eancia. Por um lado, temos muitos coron\u00e9is e delegados eleitos que ser\u00e3o contra. Por outro, temos gente jovem que veio do setor privado.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que vai ter resist\u00eancia \u00e0 reforma, mas quero crer que pode acontecer algo parecido com que houve com a infla\u00e7\u00e3o. Quando parece imposs\u00edvel de ir adiante e depois de v\u00e1rias iniciativas frustradas, chega um momento em que os astros se alinham. Simplesmente porque n\u00e3o resta outra alternativa. O Brasil s\u00f3 muda com o p\u00e9 no abismo.<\/p>\n<p>Que abismo \u00e9 esse?\u2002O abismo fiscal \u00e9 o que sobrou da pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil. Passamos por uma recess\u00e3o que ceifou empregos e empresas e sa\u00edmos dela com os governos falidos. O melhor indicador do que \u00e9 chegar no abismo \u00e9 quando um estado n\u00e3o consegue nem pagar o sal\u00e1rio do funcionalismo em dia.<\/p>\n<p>No caso dos governos estaduais, tamb\u00e9m seriam importantes outras medidas. O Supremo Tribunal Federal tem que validar o procedimento da Lei de Responsabilidade Fiscal que permite aos estados, em caso de queda abrupta de arrecada\u00e7\u00e3o, ajustar a folha de pagamento e as horas trabalhadas.<\/p>\n<p>Os esc\u00e2ndalos do governo Bolsonaro est\u00e3o impactando a economia real?\u2002No m\u00ednimo geram um grande desconforto. Entrar com essa pauta reformista com um governo em pleno funcionamento n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quando se tem um atraso por uma quest\u00e3o de sa\u00fade \u2014totalmente compreens\u00edvel, mas n\u00e3o \u00e9 menos atraso por isso\u2014 e por essa desorganiza\u00e7\u00e3o toda, fica dif\u00edcil.<\/p>\n<p>No Congresso, n\u00e3o tem como escapar de conversar com um monte de gente. Muitos t\u00eam d\u00favidas leg\u00edtimas. Pol\u00edtica \u00e9 conversa. Se o governo fica fragilizado, a organiza\u00e7\u00e3o dessa conversa fica mais dif\u00edcil.<br \/>\nN\u00e3o d\u00e1 para impor essa reforma de cima para baixo. Estamos numa democracia e com uma fragmenta\u00e7\u00e3o gigantesca no Congresso. O toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1 exclusivamente tamb\u00e9m ficou para tr\u00e1s. Haver\u00e1 acordos pol\u00edticos e tem mesmo que fazer o que for leg\u00edtimo.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Folha &#8211; 25\/02\/2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista diz que, sem reforma da Previd\u00eancia, empresas e pessoas voltar\u00e3o ao modo de sobreviv\u00eancia O economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros diz n\u00e3o ter d\u00favidas: se o Congresso n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia, o Brasil voltar\u00e1 para a recess\u00e3o, que castigou o pa\u00eds do segundo trimestre de 2014 at\u00e9 o fim de 2016&#8230;. <\/p>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/ou-voltamos-a-crescer-com-estabilidade-ou-afundamos-na-mediocridade-diz-jose-roberto-mendonca-de-barros\/\" class=\"excerpt-read-more\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-6679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6679"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6680,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6679\/revisions\/6680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}