{"id":6549,"date":"2019-01-28T13:30:36","date_gmt":"2019-01-28T15:30:36","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6549"},"modified":"2019-02-03T22:00:59","modified_gmt":"2019-02-04T00:00:59","slug":"quando-saberemos-prevenir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/quando-saberemos-prevenir\/","title":{"rendered":"Quando saberemos prevenir?"},"content":{"rendered":"<h3>A trag\u00e9dia de Brumadinho \u00e9 mais um entre tantos exemplos da nossa incapacidade cr\u00f4nica, incur\u00e1vel, at\u00e1vica de aprender com a pr\u00f3pria desgra\u00e7a<\/h3>\n<p>O custo material, ambiental e, sobretudo, as centenas de vidas humanas perdidas na ruptura da barragem da mina da Vale em Brumadinho s\u00e3o irrepar\u00e1veis. Mas essa \u00e9 apenas a parte vis\u00edvel da trag\u00e9dia. A invis\u00edvel reside na incapacidade cr\u00f4nica, incur\u00e1vel, at\u00e1vica de o Brasil aprender com a pr\u00f3pria desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe de Brumadinho ocorreu pouco mais de tr\u00eas anos depois de trag\u00e9dia em tudo semelhante na mina da Samarco, em Mariana, tamb\u00e9m em Minas Gerais,. Repete um padr\u00e3o triste, criminoso e recorrente na rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com a seguran\u00e7a e o risco.<\/p>\n<p>Basta lembrar que, em novembro passado, sete anos depois da queda de um peda\u00e7o da Ponte dos Rem\u00e9dios, na marginal TIet\u00ea, a prefeitura de S\u00e3o Paulo se viu obrigada a interditar outro viaduto que cedeu no bairro do Jaguar\u00e9, na marginal Pinheiros.<\/p>\n<p>Ou que, em abril de 2010, tr\u00eas meses depois dos deslizamentos de terra que mataram 53 pessoas na Ilha Grande e mais de 200 no estado do Rio de Janeiro, centenas morreram em desastre semelhante que atingiu o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, o Morro do C\u00e9u e o Morro do Bumba, em Niter\u00f3i, onde casas constru\u00eddas sobre um aterro sanit\u00e1rio vieram abaixo com as chuvas.<\/p>\n<p>Ou ainda que, em maio passado, pouco mais de cinco anos depois do inc\u00eandio que matou 242 pessoas na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o fogo destruiu o edif\u00edcio WIlton Paes de Almeida, no largo do Pai\u00e7andu, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Por sorte, os bombeiros retiraram a tempo centenas de moradores que ocupavam irregularmente o im\u00f3vel e evitaram uma desgra\u00e7a maior. At\u00e9 hoje, ningu\u00e9m foi punido pela trag\u00e9dia da boate Kiss, que deixou nos sobreviventes um rastro de traumas e suic\u00eddios.<\/p>\n<p>A impunidade \u00e9 um dos fatores cr\u00edticos para entender o roteiro de filme de terror que se repete no Brasil. A atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades claras e a puni\u00e7\u00e3o de culpados de todos esses homic\u00eddios contribuiria para reduzir o desleixo e o descaso com a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas resolveria? Talvez n\u00e3o. A trag\u00e9dia no sentido original da palavra \u2013 problema insol\u00favel \u2013 parece intr\u00ednseca \u00e0 alma brasileira. O mesmo otimismo que nos ajuda nos momentos de crise, a mesma cren\u00e7a irracional em que \u201ctudo no fim vai dar certo\u201d contribui para a leni\u00eancia com o que pode dar errado.<\/p>\n<p>Quantas casas noturnas funcionam sem condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a pelo pa\u00eds, pondo em risco a vida de seus frequentadores, apenas porque seus donos desprezam as normas dos bombeiros, a burocracia da prefeitura?<\/p>\n<p>Quantos brasileiros moram em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de seguran\u00e7a, em moradias sujeitas a risco de inc\u00eandio, deslizamento ou desabamento, s\u00f3 porque ningu\u00e9m acredita que \u201cpode acontecer aqui\u201d, porque as pr\u00f3prias autoridades convivem com situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas?<\/p>\n<p>Quantos viadutos ainda podem cair? Quantas barragens ainda amea\u00e7am popula\u00e7\u00f5es e \u00e1reas indefesas, apenas porque empres\u00e1rios desdenham as restri\u00e7\u00f5es impostas por autoridades ambientais como empecilhos a seus neg\u00f3cios?<\/p>\n<p>Claro que nenhuma norma de seguran\u00e7a \u00e9 perfeita. H\u00e1 espa\u00e7o para o azar. Mas a seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 sup\u00e9rflua. N\u00e3o d\u00e1 para atribuir s\u00f3 ao azar a sucess\u00e3o de fatalidades provocadas no Brasil pela \u00e1gua, pelo fogo ou apenas pelo tempo, em pontes, viadutos, barragens e edif\u00edcios, sempre de modo recorrente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso investigar, \u00e9 preciso ter leis duras, \u00e9 preciso punir. Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m que o brasileiro comece a entender, no fundo de sua alma, que nem sempre tudo d\u00e1 certo, que a desgra\u00e7a n\u00e3o atinge apenas os outros. Trag\u00e9dias podem acontecer a qualquer tempo, em qualquer lugar. \u00c9 preciso que aprendamos a preveni-las.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trag\u00e9dia de Brumadinho \u00e9 mais um entre tantos exemplos da nossa incapacidade cr\u00f4nica, incur\u00e1vel, at\u00e1vica de aprender com a pr\u00f3pria desgra\u00e7a O custo material, ambiental e, sobretudo, as centenas de vidas humanas perdidas na ruptura da barragem da mina da Vale em Brumadinho s\u00e3o irrepar\u00e1veis. 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