{"id":6509,"date":"2018-10-11T16:30:31","date_gmt":"2018-10-11T19:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6509"},"modified":"2019-01-16T05:21:45","modified_gmt":"2019-01-16T07:21:45","slug":"e-agora-ha-um-candidato-claramente-melhor-para-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/e-agora-ha-um-candidato-claramente-melhor-para-a-economia\/","title":{"rendered":"E agora? H\u00e1 um candidato claramente melhor para a economia?"},"content":{"rendered":"<h3>Entre Haddad e Bolsonaro, o cen\u00e1rio certamente piorou em rela\u00e7\u00e3o ao que poderia ter sido, mas \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar vers\u00f5es relativamente mais ou menos desfavor\u00e1veis em qualquer um dos dois casos<\/h3>\n<p>O brasileiro decidiu que o pr\u00f3ximo presidente vir\u00e1 de um dos extremos. Olhando as perspectivas para a economia, d\u00e1 para afirmar com grau razo\u00e1vel de confian\u00e7a qual das duas alternativas sobre a mesa \u00e9 melhor? A meu ver n\u00e3o. A sa\u00edda pelo centro teria gerado um cen\u00e1rio econ\u00f4mico superior, mas com ela descartada n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es suficientes para ordenar de antem\u00e3o as op\u00e7\u00f5es que restaram. Palpites n\u00e3o faltar\u00e3o, mas \u00e9 preciso consumi-los com muita cautela, mais do que a normalmente recomendada \u00e0s previs\u00f5es do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Seguindo o argumento da semana passada, a mera exist\u00eancia de d\u00favidas consider\u00e1veis com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de entrega e vis\u00e3o de mundo do pr\u00f3ximo presidente prejudica o cen\u00e1rio porque a falta de clareza torna os agentes econ\u00f4micos mais cautelosos. Diga-se, a \u00fanica raz\u00e3o para a economia crescer pouco neste exato momento \u00e9 a incerteza eleitoral. N\u00e3o fosse por isso, o pa\u00eds estaria ocupando mais rapidamente a ociosidade existente e surfando a onda internacional relativamente favor\u00e1vel. A elimina\u00e7\u00e3o das plataformas mais previs\u00edveis prolonga a incerteza.<\/p>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m delet\u00e9ria porque as institui\u00e7\u00f5es provavelmente sofrer\u00e3o novas les\u00f5es, comprometendo o potencial de crescimento do pa\u00eds no longo prazo. Um dos candidatos angariou boa parte dos votos menosprezando abertamente os valores democr\u00e1ticos, avivando a compreens\u00edvel avers\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o aos poderes constitu\u00eddos, que custam muito e entregam pouco, al\u00e9m de ca\u00e7oarem sistematicamente de quem paga impostos. J\u00e1 o desd\u00e9m democr\u00e1tico do PT, t\u00e3o enraizado quanto o de Bolsonaro, mas sub-rept\u00edcio, \u00e9 representado por um projeto de poder que envolve a captura paulatina das institui\u00e7\u00f5es para benef\u00edcio dos companheiros.<\/p>\n<p>Seja pela direita, seja pela esquerda, o ideal de uma democracia pluralista, tolerante, liberal e cosmopolita, que parecia ser um objetivo consolidado h\u00e1 n\u00e3o muito tempo, ficar\u00e1 mais distante. O desrespeito descarado \u00e0s normas que deveriam pautar um debate civilizado baseado em fatos marcou essa corrida em que Bolsonaro e Haddad disputar\u00e3o a presid\u00eancia, transformando a oportunidade de recome\u00e7ar em uma escolha de Sofia. As alternativas pelo centro nunca chegaram a ser a oitava maravilha, mas a vit\u00f3ria de um dos integrantes do quinteto fant\u00e1stico arejaria Bras\u00edlia e tenderia a trazer equil\u00edbrio ap\u00f3s o desastroso per\u00edodo da dobradinha Dilma-Temer.<\/p>\n<h4>Nesse sentido, o Brasil sair\u00e1 menor do que entrou nessas elei\u00e7\u00f5es.<\/h4>\n<p>No tocante \u00e0 economia, o cen\u00e1rio certamente piorou em rela\u00e7\u00e3o ao que poderia ter sido, mas \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar vers\u00f5es relativamente mais ou menos desfavor\u00e1veis em qualquer um dos dois casos. O progresso depender\u00e1 da capacidade do pr\u00f3ximo presidente de alavancar o mandato a partir de suas vantagens comparativas, controlando os pontos fracos. O \u201cmercado\u201d \u00e9 pragm\u00e1tico e n\u00e3o veste camisa. Se o governo mandar bem ele embarcar\u00e1 no bonde e vice-versa. At\u00e9 o desfecho da elei\u00e7\u00e3o a torcida ser\u00e1 por Bolsonaro. Olhando mais \u00e0 frente, no entanto, n\u00e3o d\u00e1 para saber previamente qual Bolsonaro se sobressair\u00e1 nos pr\u00f3ximos quatro anos e, portanto, \u00e9 imposs\u00edvel afirmar que seu mandato ser\u00e1 melhor do que o de Haddad para a economia ou vice-versa.<\/p>\n<p>A extrema direita tem o seus pr\u00f3s. Um deles \u00e9 convidar a esquerda a fazer a autocr\u00edtica que deve h\u00e1 muito tempo ao pa\u00eds pela institui\u00e7\u00e3o do caos econ\u00f4mico e, por extens\u00e3o, a polariza\u00e7\u00e3o que viabilizou o extremismo oposto \u2013 se isso ocorrer, o pa\u00eds evoluir\u00e1, criando-se a chance de aglutina\u00e7\u00e3o dos segmentos moderados para reconstruir o pa\u00eds no longo prazo. Al\u00e9m disso, o capit\u00e3o parece ter um alinhamento maior com o congressista mediano, vantagem que pode ser usada para montar uma coaliz\u00e3o capaz de dar continuidade \u00e0 agenda reformista. Por fim, ele conta com a boa vontade dos mercados na fase inicial do governo e esta \u00e9 uma bela vantagem. A economia melhorar\u00e1 no ano que vem se esses aspectos sobrepujarem os pontos fracos.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, a possibilidade de o governo ser marcado pelas fraquezas do militar. Seu vi\u00e9s autorit\u00e1rio e o desprezo pela pol\u00edtica podem comprometer a atra\u00e7\u00e3o de bons quadros e a forma\u00e7\u00e3o de uma base congressual est\u00e1vel. \u00c9 dif\u00edcil imaginar al\u00edvio na polariza\u00e7\u00e3o da sociedade ap\u00f3s sua vit\u00f3ria. Al\u00e9m disso, um dos papeis do presidente \u00e9 arbitrar conflitos e, para isso, \u00e9 preciso ter vis\u00e3o e preparo. Um presidente muito confiante e convicto \u00e9 ruim, mas um com horizonte intelectual curto e sem opini\u00e3o pode ser pior, sobretudo diante da tarefa de controlar um entorno macabro como o que circunda Bolsonaro. Finalmente, ser\u00e1 dif\u00edcil para ele elevar a carga tribut\u00e1ria se isso for necess\u00e1rio e \u00e9 bem prov\u00e1vel que seja.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio dessas fraquezas poder\u00e1 fazer com que, ap\u00f3s uma breve lua de mel, o governo se veja rapidamente imobilizado e capturado pelos grupos de interesse de sempre. Sua resposta ao imobilismo pode ser truculenta e, se isso ocorrer, o angu pode desandar de vez, como na Turquia. O predom\u00ednio dessas caracter\u00edsticas far\u00e1 as expectativas se deteriorarem rapidamente e os pr\u00f3ximos quatro anos durar\u00e3o uma eternidade. Quem viveu o auge e decl\u00ednio do \u201cca\u00e7ador de maraj\u00e1s\u201d na desventurada \u201cRep\u00fablica de Alagoas\u201d tem uma base para desenhar o roteiro.<\/p>\n<p>No caso de Haddad, um de seus maiores ativos \u00e9 destoar da figura do petista fan\u00e1tico que provoca o asco que une pelo menos dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o e que foi mais bem utilizado por Bolsonaro. \u00c9 claro que Haddad mente como qualquer pol\u00edtico, mas parece ser um sujeito a quem a verdade tem alguma import\u00e2ncia. Ou seja, ele est\u00e1 no PT, mas n\u00e3o \u00e9 o petista \u201craiz\u201d ou um vigarista \u201cfrankfurtiano\u201d (ver a coluna do dia 23 de julho). Sem pol\u00edticos assim n\u00e3o h\u00e1 como consolidar a democracia. Se esta percep\u00e7\u00e3o estiver correta, \u00e9 poss\u00edvel que seu governo seja pautado pela responsabilidade. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, ele poder\u00e1 ganhar pontos tirando o bode que colocou na sala como fez seu criador em 2002 ao \u201cchamar o Meirelles\u201d.<\/p>\n<p>Seu temperamento relativamente mais suave pode propiciar a forma\u00e7\u00e3o de um governo equilibrado, focado na constru\u00e7\u00e3o de consensos e capaz de contribuir para a pacifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Tem boas conex\u00f5es com economistas que pensam diferente, disposi\u00e7\u00e3o para ouvir e um preparo m\u00ednimo para perceber at\u00e9 que ponto a corda pode ser esticada. Ao contr\u00e1rio da antecessora (que, ao que tudo indica, foi agora impedida pelas urnas), ele n\u00e3o se comunica em javan\u00eas. Por ser um poste do Lula, que n\u00e3o tem compromisso com nada e ningu\u00e9m, Haddad pode ser convencido a aplicar o estelionato que se far\u00e1 necess\u00e1rio para impedir o retrocesso, mesmo que isso envolva contrariar algumas promessas e magoar a \u201cala progressista\u201d. Vendo as coisas por esse \u00e2ngulo, \u00e9 poss\u00edvel imaginar que seu governo n\u00e3o seja necessariamente ruim do ponto de vista econ\u00f4mico. Talvez at\u00e9 surpreenda positivamente.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria relativamente benigna deve ser contraposta \u00e0 que enfatiza os aspectos negativos do candidato. Primeiro, ele n\u00e3o representa o PT. Se aplicar o estelionato, mesmo com a chancela do ministro lotado temporariamente em Curitiba, enfrentar\u00e1 resist\u00eancia bem mais pesada do que a que solapou a breve tentativa de Dilma de tocar a economia de acordo com o manual. Al\u00e9m disso, sua vis\u00e3o heterodoxa cont\u00e9m muitos dos elementos do receitu\u00e1rio desastroso da \u201cNova Matriz Econ\u00f4mica\u201d. Por exemplo, ele fala com naturalidade em BC com \u201cmandato dual\u201d e n\u00e3o \u00e9 muito claro no compromisso em fazer o ajuste das contas p\u00fablicas, sem o qual o pa\u00eds so\u00e7obrar\u00e1.<\/p>\n<p>Durante a campanha, Haddad fez promessas que, se cumpridas, certamente provocar\u00e3o retrocesso. Ou seja, o sucesso de seu governo implica bater de frente com sua base eleitoral. O mesmo perfil que felizmente o distancia dos embusteiros protot\u00edpicos do PT pode, na pior das hip\u00f3teses, jogar contra no momento em que o desafio for descumprir promessas em nome do bom senso para livrar o pa\u00eds da crise. Em outras palavras, enquanto Bolsonaro d\u00e1 medo por n\u00e3o ter convic\u00e7\u00f5es, Haddad preocupa por t\u00ea-las. Finalmente, ao contr\u00e1rio de Bolsonaro, come\u00e7ar\u00e1 o governo pressionado pelos mercados financeiros e, assim, ter\u00e1 menos chances de errar.<\/p>\n<p>Se Haddad falhar na estabiliza\u00e7\u00e3o das expectativas logo no in\u00edcio, comprometer\u00e1 seu governo pelos pr\u00f3ximos quatro anos. Com a economia semi-estagnada e enfrentando press\u00f5es inflacion\u00e1rias, ter\u00e1 que adotar medidas que de acordo com a cartilha apregoada pelo PT atendem ao \u201ccapital rentista\u201d. Qual decis\u00e3o ele tomar\u00e1? Aliviar no curto prazo, arruinando o m\u00e9dio prazo ou chamar para si o custo de colocar o trem nos trilhos, desagradando a tigrada? Se optar pelo primeiro caminho colher\u00e1 resultados semelhantes ao da presidenta e o povo ser\u00e1 feliz novamente apenas no mundo imagin\u00e1rio dos marqueteiros petistas. Os mais humildes pagar\u00e3o a conta e o mercado financeiro ganhar\u00e1 dinheiro como sempre. Se optar pelo segundo, pode ficar isolado.<\/p>\n<p>Traduzindo em n\u00fameros, imagino a economia crescendo algo entre 2,5% e 3,0% no ano que vem e uns 2% de 2020 a 2022 nas vers\u00f5es mais favor\u00e1veis. Nas piores, algo pr\u00f3ximo da estagna\u00e7\u00e3o em 2019 seguido por m\u00e9dia de crescimento entre 1% e 1,5%, com bastante vari\u00e2ncia. Se tudo der certo, a infla\u00e7\u00e3o dever\u00e1 superar a meta estabelecida atualmente pelo BC, mas n\u00e3o muito. Se der errado, a infla\u00e7\u00e3o subir\u00e1 paulatinamente e tender\u00e1 a ser menos previs\u00edvel, oscilando ao sabor dos breves solu\u00e7os de crescimento interrompidos por per\u00edodos de retrocesso.<\/p>\n<p>Tor\u00e7o para que a chance das vers\u00f5es melhores seja maior, mas n\u00e3o vejo raz\u00e3o para apostar nisso agora, sem mais informa\u00e7\u00f5es. Chegou a hora de saber se, de fato, Deus \u00e9 brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> EXAME<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre Haddad e Bolsonaro, o cen\u00e1rio certamente piorou em rela\u00e7\u00e3o ao que poderia ter sido, mas \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar vers\u00f5es relativamente mais ou menos desfavor\u00e1veis em qualquer um dos dois casos O brasileiro decidiu que o pr\u00f3ximo presidente vir\u00e1 de um dos extremos. 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