{"id":6435,"date":"2018-12-14T10:00:53","date_gmt":"2018-12-14T12:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6435"},"modified":"2018-12-24T12:32:18","modified_gmt":"2018-12-24T14:32:18","slug":"incognitas-sobre-o-novo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/incognitas-sobre-o-novo-governo\/","title":{"rendered":"Inc\u00f3gnitas sobre o novo governo"},"content":{"rendered":"<h3>O dinheiro do ex-assessor do filho e a reforma da Previd\u00eancia assombrar\u00e3o a gest\u00e3o Bolsonaro<\/h3>\n<p>O governo Jair Bolsonaro come\u00e7ar\u00e1 assombrado por duas inc\u00f3gnitas imediatas. Mais urgentes que acordos sobre clima e migra\u00e7\u00e3o, que a influ\u00eancia partid\u00e1ria nas escolas ou apari\u00e7\u00f5es em goiabeiras. A primeira \u00e9 o dinheiro suspeito na conta de Fabr\u00edcio Queiroz, amigo e ex-assessor do filho de Bolsonaro. A segunda \u00e9 a reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Queiroz, motorista de Fl\u00e1vio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, movimentou, segundo o Coaf, R$ 1,2 milh\u00e3o em um ano, valor incompat\u00edvel com seu sal\u00e1rio de servidor p\u00fablico. Um dos cheques foi parar na conta da mulher de Bolsonaro.<\/p>\n<p>Bolsonaro afirmou que era o pagamento de uma d\u00edvida e comprometeu-se a reparar qualquer erro que tivesse cometido. Demorou a falar no assunto, como reconheceu ontem o pr\u00f3prio vice-presidente eleito, Hamilton Mour\u00e3o. S\u00f3 convenceu os j\u00e1 convencidos, a legi\u00e3o de ac\u00f3litos fieis das redes sociais.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 um erro grave julgar que os brasileiros que o elegeram, confiantes no discurso de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, se dar\u00e3o por satisfeitos caso n\u00e3o haja uma investiga\u00e7\u00e3o exemplar do caso, cujas caracter\u00edsticas lembram v\u00e1rios esquemas de desvio de dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que Mour\u00e3o afirmou, o assunto n\u00e3o morreu. Voltar\u00e1 a assombrar Bolsonaro \u00e0 medida que as investiga\u00e7\u00f5es produzirem novas revela\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o se desvencilhar rapidamente dessa assombra\u00e7\u00e3o, ela poder\u00e1 atrapalhar o andamento da agenda do futuro governo.<\/p>\n<p>O principal item dessa agenda \u00e9 a segunda inc\u00f3gnita: a reforma da Previd\u00eancia. Que tipo de mudan\u00e7a legal ser\u00e1 proposta? Em que ser\u00e1 diferente da emenda j\u00e1 desidratada do governo Michel Temer, hoje parada na C\u00e2mara? Como Bolsonaro obter\u00e1 apoio no Congresso (em especial no Senado) para fazer passar sua reforma?<\/p>\n<p>Toda emenda constitucional exige aprova\u00e7\u00e3o de tr\u00eas quintos das duas Casas legislativas em duas vota\u00e7\u00f5es. Mesmo supondo que Bolsonaro arregimente uma maioria s\u00f3lida na C\u00e2mara, basta o voto de 33 dos 81 senadores para derrubar qualquer proposta. O n\u00facleo duro da oposi\u00e7\u00e3o, representado por PT, PSB, PDT e outros partidos menores, soma 20. Mais 13, e a reforma naufraga.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio improv\u00e1vel. Toda mudan\u00e7a nas regras previdenci\u00e1rias desperta resist\u00eancias corporativas representadas no Congresso. Mexer em pens\u00f5es e aposentadorias, mesmo com todos os cuidados, \u00e9 sempre uma causa impopular. N\u00e3o \u00e9 um acaso que o governo Michel Temer tenha empacado na Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Sem a reforma, contudo, a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas se tornar\u00e1 dram\u00e1tica. Basta olhar as \u00faltimas previs\u00f5es do minist\u00e9rio da Fazenda para constatar que o pa\u00eds quebraria em dois anos, a economia so\u00e7obraria, e o governo nem poderia sonhar com reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como os efeitos da reforma n\u00e3o s\u00e3o imediatos, o c\u00e1lculo pol\u00edtico associado a ela \u00e9 perverso. N\u00e3o interessa ao governo gastar o capital conquistado nas urnas imediatamente numa causa t\u00e3o impopular, cujo resultado demoraria a se fazer notar. Da\u00ed as declara\u00e7\u00f5es amb\u00edguas sobre o assunto, tanto de Bolsonaro quanto de seus filhos<\/p>\n<p>Novamente, ser\u00e1 uma decep\u00e7\u00e3o para os brasileiros que votaram nele para desfazer as mazelas petistas e acabar com a esb\u00f3rnia fiscal, aqueles que confiaram na escolha do liberal Paulo Guedes para o minist\u00e9rio da Fazenda e esperam reformas profundas no Estado brasileiro.<\/p>\n<p>Bolsonaro ainda poder\u00e1 se livrar de ambas as assombra\u00e7\u00f5es. Basta assumir o protagonismo. Precisa exigir celeridade nas investiga\u00e7\u00f5es sobre Queiroz dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis, subordinados a seu ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro. Em vez de declara\u00e7\u00f5es in\u00f3cuas, seu filho Fl\u00e1vio precisa colaborar prestando todo tipo de informa\u00e7\u00e3o a respeito das atividades de Queiroz. Seria bom que o Brasil soubesse que hist\u00f3ria \u201cplaus\u00edvel\u201d ele lhe contou.<\/p>\n<p>No caso da Previd\u00eancia, \u00e9 preciso parar de tergiversar. Que Bolsonaro ponha logo sua for\u00e7a pol\u00edtica para aprovar o texto j\u00e1 em andamento na C\u00e2mara, que j\u00e1 atravessou todo o caminho pedregoso das comiss\u00f5es e foi desidratado o bastante para satisfazer a demandas diversas.<\/p>\n<p>Seus assessores e economistas poder\u00e3o ter ideias bem melhores. Mas dificilmente se chegar\u00e1 a consenso pol\u00edtico melhor que aquele. Uma nova reforma s\u00f3 representar\u00e1 perda de tempo e agravamento da crise fiscal, cujo pre\u00e7o o pr\u00f3prio governo acabar\u00e1 por ter de pagar.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dinheiro do ex-assessor do filho e a reforma da Previd\u00eancia assombrar\u00e3o a gest\u00e3o Bolsonaro O governo Jair Bolsonaro come\u00e7ar\u00e1 assombrado por duas inc\u00f3gnitas imediatas. Mais urgentes que acordos sobre clima e migra\u00e7\u00e3o, que a influ\u00eancia partid\u00e1ria nas escolas ou apari\u00e7\u00f5es em goiabeiras. 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