{"id":6416,"date":"2018-10-25T10:58:12","date_gmt":"2018-10-25T12:58:12","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6416"},"modified":"2018-12-10T22:59:39","modified_gmt":"2018-12-11T00:59:39","slug":"politica-e-o-que-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/politica-e-o-que-importa\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica \u00e9 o que importa"},"content":{"rendered":"<h3>O que define o \u00eaxito de um presidente n\u00e3o s\u00e3o suas ideias nem seu partido. \u00c9 a capacidade de articula\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o para colocar seu programa em pr\u00e1tica<\/h3>\n<p>Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o Brasil teve seis presidentes. Dois deles foram reeleitos e governaram por oito anos. Dois sofreram impeachment, e os dois outros eram vices que completaram seus mandatos. O que distingue os dois que conduziram o governo at\u00e9 o fim e obtiveram repetido sucesso nas urnas dos demais?<\/p>\n<p>Responder a essa quest\u00e3o de modo preciso \u00e9 essencial para entender o tipo de desafio que o pr\u00f3ximo presidente \u2013 ao que tudo indica, Jair Bolsonaro \u2013 enfrentar\u00e1 a partir do pr\u00f3ximo dia 1\u00ba de janeiro, quando tomar\u00e1 posse. Infelizmente, a maioria dos brasileiros cr\u00ea numa resposta que, se n\u00e3o inteiramente errada, \u00e9 parcial. Costumam omitir a principal caracter\u00edstica comum aos governos de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>Inflamados pela onda (necess\u00e1ria) de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, uns dir\u00e3o que o que uniu os governos tanto do PT quanto do PSDB foi a podrid\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o setor p\u00fablico e o privado, o fisiologismo e o \u201ctoma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1\u201d que contaminam Bras\u00edlia. \u00c9 esse o motivo que compele a maioria dos eleitores a votar em Bolsonaro no pr\u00f3ximo domingo.<\/p>\n<p>Outros, movidos pelo combate (tamb\u00e9m necess\u00e1rio) \u00e0 desigualdade, afirmar\u00e3o que o \u00eaxito se deveu \u00e0 capacidade de incluir na sociedade e no mercado formal os milh\u00f5es de brasileiros que carecem de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o ou direitos humanos. Preferir\u00e3o at\u00e9 um governo corrupto do PT a um que esque\u00e7a os pobres em nome das demandas do \u201cmercado\u201d, como afirmam ter sido o do PSDB, ou a Bolsonaro \u2013 a quem, al\u00e9m disso, atribuem o risco de escalada autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, obviamente, motivo para os combates \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o ou \u00e0 desigualdade serem antag\u00f4nicos, muito menos para qualquer um deles amea\u00e7ar a democracia. Mas \u00e9 em torno desse tipo de falsa dicotomia que a sociedade brasileira se polarizou entre \u201cesquerda\u201d e \u201cdireita\u201d. O tribalismo, forma natural de organiza\u00e7\u00e3o das sociedades, empobrece o debate sobre nossos desafios concretos.<\/p>\n<p>\u00c9 correto enxergar problemas na corrup\u00e7\u00e3o, na desigualdade ou nas amea\u00e7as e defici\u00eancias de nossas institui\u00e7\u00f5es. Tudo isso \u00e9 problem\u00e1tico mesmo. Mas a maioria dos brasileiros esquece as duas caracter\u00edsticas essenciais que desde sempre determinam o fracasso ou sucesso dos nossos governos, anteriores e necess\u00e1rias a qualquer tipo de solu\u00e7\u00e3o para todas essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira delas \u00e9 que somos um pa\u00eds gigantesco. Em pa\u00edses dessa natureza, nenhuma autoridade central tem poderes plenos. Sempre \u00e9 necess\u00e1rio algum tipo de acerto com poderes locais e com grupos organizados em torno de interesses econ\u00f4micos ou corporativos. A pol\u00edtica do \u201ctoma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1\u201d, em que espa\u00e7o e cargos no governo s\u00e3o cedidos em troca de apoio no Legislativo, resulta em parte da\u00ed.<\/p>\n<p>Nenhum presidente pode arriscar a rebeldia dos governadores se quiser levar adiante seus projetos no Congresso. A cren\u00e7a de que ser\u00e1 poss\u00edvel \u201creinventar\u201d a pol\u00edtica sem concess\u00f5es a grupos de interesse ou \u00e0 revelia da organiza\u00e7\u00e3o tradicional que rege o apoio no Legislativo n\u00e3o passa de fantasia. Nem toda concess\u00e3o implica corrup\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, negociar e saber ceder \u00e9 da natureza da atividade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tanto o impeachment de Fernando Collor quanto o de Dilma Rousseff derivaram da inabilidade pol\u00edtica de ambos para negociar e obter apoio no Congresso. Mesmo aqueles que pregam \u201cgolpes\u201d ou \u201catalhos institucionais\u201d, e ame\u00e7am a sa\u00fade da nossa democracia, deveriam entender que eles exigem amplas articula\u00e7\u00f5es nacionais. Nem a viol\u00eancia prescinde da pol\u00edtica ou a elimina \u2013 deriva da\u00ed seu custo alt\u00edssimo a quem corre esse tipo de risco.<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica para o \u00eaxito de um governante, aquela que une de fato as personalidades de Lula e FHC, \u00e9 justamente a habilidade pol\u00edtica e capacidade de articula\u00e7\u00e3o. Os m\u00e9todos de ambos para obter resultados podem ser criticados. Mas os dois souberam levar projetos adiante, venceram resist\u00eancias e compuseram alian\u00e7as produtivas. Collor e Dilma n\u00e3o, por isso ca\u00edram.<\/p>\n<p>Numa estrutura de poder como a brasileira, tal capacidade \u00e9 mais importante que o programa de governo em si, mais importante que fantasias sobre \u201cesquerda\u201d ou \u201cdireita\u201d, mais importante que ideais de pureza moral. Sem talento pol\u00edtico, de nada adianta ser honesto nem dispor dos melhores economistas, especialistas em Previd\u00eancia, tributos, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade ou meio ambiente.<\/p>\n<p>Sem capacidade de articula\u00e7\u00e3o para p\u00f4r projetos em marcha, eles n\u00e3o passam de um comp\u00eandio de boas (ou m\u00e1s) inten\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que votamos para cargos pol\u00edticos, n\u00e3o t\u00e9cnicos. \u00c9 por isso que \u00e9 bobagem falar em \u201cnova\u201d ou \u201cvelha\u201d pol\u00edtica. A pol\u00edtica \u00e9 sempre a mesma, n\u00e3o muda h\u00e1 mil\u00eanios: a arte de persuadir, negociar e governar. Compet\u00eancia nessa arte \u00e9 o principal requisito a exigir dos l\u00edderes.<\/p>\n<p>A esta altura, ningu\u00e9m que mantenha um m\u00ednimo de p\u00e9 na realidade, em vez de se informar por meio das mentiras do WhatsApp, tem muita d\u00favida sobre os principais desafios que aguardam o pr\u00f3ximo presidente. Ser\u00e1 necess\u00e1rio desatar o n\u00f3 g\u00f3rdio da crise fiscal sem descuidar de programas sociais e das atividades essenciais do Estado, em especial seguran\u00e7a, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como no caso dos \u00faltimos seis presidentes, \u00e9 apenas e t\u00e3o-somente a habilidade pol\u00edtica para unir o pa\u00eds em torno de um projeto consistente diante desse desafio que definir\u00e1 se o pr\u00f3ximo ter\u00e1 sucesso. N\u00e3o seu discurso, nem suas ideias, nem seu partido.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que define o \u00eaxito de um presidente n\u00e3o s\u00e3o suas ideias nem seu partido. \u00c9 a capacidade de articula\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o para colocar seu programa em pr\u00e1tica Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o Brasil teve seis presidentes. Dois deles foram reeleitos e governaram por oito anos. 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