{"id":6347,"date":"2018-11-13T10:40:43","date_gmt":"2018-11-13T07:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6347"},"modified":"2018-11-30T03:48:05","modified_gmt":"2018-11-30T00:48:05","slug":"a-nova-ceia-da-esquerda-sem-o-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/a-nova-ceia-da-esquerda-sem-o-pt\/","title":{"rendered":"A nova ceia da esquerda sem o PT"},"content":{"rendered":"<h3>Como a oposi\u00e7\u00e3o, Ciro Gomes \u00e0 frente, constr\u00f3i um novo e propositivo modelo de contraponto ao futuro governo, livre do \u201cquanto pior, melhor\u201d e das amarras autorit\u00e1rias impostas pelo petismo<\/h3>\n<p>A chuva batia forte. Das telhas do pr\u00e9dio t\u00e9rreo da sede do PDT em Bras\u00edlia ecoava um som retinente, por vezes quase ensurdecedor. De p\u00e9 na ponta de uma ampla mesa na qual almo\u00e7avam cerca de 40 pessoas \u2013 os principais dirigentes do partido e os atuais e novos deputados e senadores -, Ciro Gomes enfrentava o barulho torrencial com um discurso entusiasmado.<\/p>\n<p>\u201cEstamos com a faca e o queijo nas m\u00e3os\u201d, disse ele na tarde da quarta-feira 7.\u201cIniciamos a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa progressista n\u00e3o petista para a sociedade\u201d. Ao final, o presidente do PDT, Carlos Lupi, entoou um \u201cparab\u00e9ns a voc\u00ea\u201d. Na v\u00e9spera, fora anivers\u00e1rio de Ciro. O pol\u00edtico paulista, mas de sotaque cearense, completou 61 anos \u00e0 frente daquela que pode ser a sua maior tarefa: liderar um movimento de oposi\u00e7\u00e3o com a capacidade de redimir e consertar os graves erros cometidos pelo PT durante o per\u00edodo em que atuou para ser hegem\u00f4nico sobre todos os demais agrupamentos de centro-esquerda do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Claro, para nova ceia da oposi\u00e7\u00e3o, o PT n\u00e3o foi nem ser\u00e1 convidado a repartir o p\u00e3o. Se tudo o que come\u00e7ou a ser pavimentado der certo, Bolsonaro lidar\u00e1 com uma oposi\u00e7\u00e3o de outra natureza e car\u00e1ter. Que declara n\u00e3o trabalhar pelo \u201cquanto pior, melhor\u201d, doutrina esta professada quase como um dogma pelo petismo. Que se pretende propositiva, discutindo pontualmente com o governo e at\u00e9 podendo, em determinados momentos, negociar e apoiar propostas. Que n\u00e3o ter\u00e1 como tarefa reconstruir a narrativa da hist\u00f3ria, como reza a cartilha do PT, ao se declarar v\u00edtima de um \u201cgolpe pol\u00edtico-midi\u00e1tico\u201d e colocando-se como a \u00fanica alternativa ao \u201cretrocesso democr\u00e1tico\u201d que diz enxergar no governo eleito de Jair Bolsonaro. \u201cEsse \u00e9 o nosso primeiro ponto de diferen\u00e7a\u201d, disse Ciro \u00e0 ISTO\u00c9. \u201cN\u00f3s n\u00e3o vemos a democracia em risco como o PT\u201d. Para Ciro, Bolsonaro venceu a disputa nas urnas merecidamente. \u00c9 o presidente eleito, e isso precisa ser respeitado. As frases de Bolsonaro ao longo da sua vida e algumas de suas declara\u00e7\u00f5es e dos demais integrantes do seu futuro governo, por\u00e9m, exigem que um sinal de alerta seja aceso. Um exemplo nesse sentido foram as declara\u00e7\u00f5es emitidas contra o Mercosul, a China e favor\u00e1veis \u00e0 mudan\u00e7a da embaixada brasileira em Israel de Telaviv para Jerusal\u00e9m, que geraram uma rea\u00e7\u00e3o de pa\u00edses \u00e1rabes como o Egito. \u201cEm 15 dias, diversas declara\u00e7\u00f5es desastradas provocam um risco desnecess\u00e1rio ao pa\u00eds\u201d, critica Ciro. \u00c9 desse tipo de pontua\u00e7\u00e3o que vem a tarefa proposta nesse novo modelo de oposi\u00e7\u00e3o. \u00c9, segundo esse novo grupo liderado por Ciro, a tarefa de guardar, vigiar, proteger a institucionalidade democr\u00e1tica e o interesse nacional. \u201cO PT gosta de imaginar um monstro e depois aparelhar todos contra esse monstro que ele mesmo criou\u201d, fez coro o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE), irm\u00e3o de Ciro. \u201cO PT criou Bolsonaro. A\u00ed, depois, pressiona todo mundo a dizer que s\u00f3 ele pode combater o monstro. N\u00e3o \u00e9 assim\u201d.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, todas as pesquisas apontavam que Ciro, terceiro lugar no pleito, poderia reunir as melhores condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para superar Bolsonaro no segundo turno. Chances que os levantamentos nunca apontavam para o candidato do PT, Fernando Haddad. O pedetista n\u00e3o alcan\u00e7ou o segundo turno, mas o resultado ajudou Ciro a se credenciar para a miss\u00e3o de unir os demais partidos de oposi\u00e7\u00e3o numa estrat\u00e9gia de enfrentamento do governo Bolsonaro e de contraponto \u00e0 velha, autorit\u00e1ria e surrada t\u00e1tica do PT, condenada n\u00e3o s\u00f3 pelos brasileiros nas urnas, como por ex-petistas hist\u00f3ricos. Ao discorrer recentemente sobre sua decep\u00e7\u00e3o com o PT, Eduardo Jorge revela que abandonou a nau antes do naufr\u00e1gio porque perdeu a confian\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o da legenda da estrela rubra. \u201cEles se comportavam com uma vis\u00e3o muito pr\u00f3pria da esquerda revolucion\u00e1ria de que o partido \u00e9 mais importante do que o Pa\u00eds. Para eles, o partido \u00e9 mais importante do que o Brasil. Mais importante, inclusive, do que a vida do pr\u00f3prio povo\u201d.<\/p>\n<h4>Sem caos<\/h4>\n<p>Como Eduardo Jorge, as esquerdas hoje n\u00e3o se enxergam mais no estilo de fazer oposi\u00e7\u00e3o do PT, que como um niilista da pol\u00edtica aposta no caos para sobreviver. As legendas que orbitam do campo da esquerda n\u00e3o querem ser mais um mero puxadinho do PT. Assim, \u00e9 eloquente que o grupo oposicionista que emerge sob a lideran\u00e7a de Ciro Gomes tenha dispensado o PT e sua linha auxiliar, o PSOL, das tratativas para a forma\u00e7\u00e3o do bloco de oposi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aceitar o hegemonismo que o PT quer impor aos demais partidos\u201d, afirma o pedetista Andr\u00e9 Figueiredo. Mais do que isso. O isolamento do PT no campo da oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da postura de um partido incapaz de uma conviv\u00eancia democr\u00e1tica mesmo com aqueles com os quais cultiva afinidades eletivas. Para os petistas, nada que n\u00e3o tenha sido imposto pelo PT \u00e9 pass\u00edvel de legitimidade. A verdade \u00e9 que o partido, agora fora das cercanias do poder depois de 13 anos, n\u00e3o alimenta a menor pretens\u00e3o de lutar nas raias da oposi\u00e7\u00e3o. Sua \u00fanica inten\u00e7\u00e3o \u00e9 partir para boicotar o governo e impedir que o Pa\u00eds saia da crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e moral sem precedentes que os pr\u00f3prios petistas legaram aos brasileiros.<\/p>\n<p>Ao se buscar hegem\u00f4nico, o PT sonhou um dia em tornar-se uma esp\u00e9cie de PRI (Partido Revolucion\u00e1rio Institucional) \u00e0 brasileira. Segundo a perfeita defini\u00e7\u00e3o cunhada pelo escritor Mario Vargas Llosa \u201cera a ditadura perfeita\u201d. Por 71 anos, o PRI governou o M\u00e9xico com \u201cauras de democracia\u201d, sem a necessidade de aparatos repressivos ou do flerte com a censura. A chave do sucesso para a perpetua\u00e7\u00e3o no poder era a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza do petr\u00f3leo apoiada em crit\u00e9rios clientelistas, as elei\u00e7\u00f5es com ind\u00edcios claros de fraudes e uma contundente ret\u00f3rica pol\u00edtica de esquerda capaz de magnetizar renomados escritores e intelectuais por d\u00e9cadas. Qualquer semelhan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. Ao presidente do pa\u00eds, tamb\u00e9m comandante-em-chefe do PRI, cabia controlar a bancada do partido nas C\u00e2maras Legislativas. Invariavelmente, ungia o pr\u00f3prio sucessor. A hegemonia, acalentada pelo PT por aqui, findou com a posse de Vicente Fox, em 2000, seguido por seu ministro Felipe Calder\u00f3n, do Partido da A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN). Depois de 12 anos na oposi\u00e7\u00e3o, o PRI regressou ao poder em 2012, com a elei\u00e7\u00e3o de Enrique Pe\u00f1a Nieto. Que, para o bem do Brasil, a n\u00f3s seja reservada uma sorte diferente.<\/p>\n<p>Nos seus primeiros movimentos, j\u00e1 ficou claro que a estrat\u00e9gia de Ciro tem grandes chances de sucesso. Os demais partidos do campo da centro-esquerda se mostram dispostos a se unir na proposta desse novo modelo de oposi\u00e7\u00e3o. \u201cAs conversas est\u00e3o fluindo muito bem, e adiantadas\u201d, revela o deputado J\u00falio Delgado (MG), um dos art\u00edfices da uni\u00e3o no PSB. Com a forma\u00e7\u00e3o de blocos das demais legendas de esquerda tanto na C\u00e2mara quanto no Senado, o isolamento do PT \u00e9 o caminho natural. Os blocos devem unir PDT, PSB e Rede. Mesmo o PCdoB, que tinha a vice-presid\u00eancia na chapa de Haddad, tende a juntar-se ao grupo. E at\u00e9 um partido menos identificado com a esquerda, o PHS, ensaia uma alian\u00e7a no Senado. Tamb\u00e9m h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o com o PPS. Se a nova coaliz\u00e3o de esquerda der certo, os dois blocos somariam 78 deputados e 13 senadores. Seriam as maiores bancadas tanto na C\u00e2mara quanto no Senado. \u201cA ideia \u00e9 empoderar o Congresso e fazer com que ele volte a ser o ambiente da negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, prega Cid.<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo uma forma bem diferente de exercer o papel de oposi\u00e7\u00e3o. Na qual se torna poss\u00edvel o di\u00e1logo mesmo com outros campos da pol\u00edtica. E at\u00e9 mesmo com o governo ao qual o grupo se op\u00f5e. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para fazer oposi\u00e7\u00e3o contra tudo e contra todos. N\u00e3o vamos no quanto pior, melhor\u201d, assevera J\u00falio Delgado. O PSB, por exemplo, defende um modelo de reforma da Previd\u00eancia na qual continuaria o atual sistema de reparti\u00e7\u00e3o simples (os trabalhadores da ativa contribuem para pagar as aposentadorias) com um sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o. No governo Bolsonaro, h\u00e1 quem defenda modelo semelhante. \u201cSe for assim, por que iremos rejeitar? Somente porque somos oposi\u00e7\u00e3o?\u201d, questiona Delgado.<\/p>\n<h4>Aliado preferencial<\/h4>\n<p>Na forma\u00e7\u00e3o dos blocos, o PSB tende a ser o principal parceiro do PDT de Ciro Gomes. At\u00e9 porque, na C\u00e2mara, possui bancada maior. O PSB elegeu 32 deputados, e o PDT, 28. \u201cN\u00e3o trabalhamos em torno de um partido pol\u00edtico. Unidos no bloco, todos s\u00e3o igualmente importantes\u201d, avalia o l\u00edder do PDT na C\u00e2mara, Andr\u00e9 Figueiredo (CE). \u00c9 mais um ponto de intersec\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se pretende trocar a hegemonia do PT por outra. Assim, as conversas t\u00eam atra\u00eddo mesmo o PCdoB que, ao longo da vida, sempre atuou \u00e0 sombra do PT. \u201cCiro n\u00e3o contribuiu para nossa derrota\u201d, afirma Manuela D\u00b4\u00c1vila, a candidata a vice na chapa de Fernando Haddad. \u201cFalar agora de 2022 ou disputar hegemonias \u00e9 n\u00e3o compreender a necessidade de que precisamos nos unir\u201d. Para o l\u00edder do PCdoB na C\u00e2mara, deputado Orlando Silva (SP), \u201co PT n\u00e3o \u00e9 o centro do mundo, nem o centro da pol\u00edtica no Brasil\u201d. Contra o isolamento do PT, poderia ficar apenas o PSOL. Mas mesmo o partido de Guilherme Boulos anda meio reticente. \u201cAt\u00e9 agora, n\u00e3o fomos procurados pelo PT\u201d, disse a ISTO\u00c9 o deputado Chico Alencar (PSol-RJ). \u201c\u00c0s vezes, n\u00f3s nos unimos na necessidade\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Ciro Gomes conversou na quarta-feira 7 com Marina Silva, da Rede. Na C\u00e2mara, o partido de Marina elegeu apenas uma deputada, a \u00edndia Jo\u00eania Wapichana (RR). No Senado, montou uma bancada maior: cinco senadores. Ter\u00e1 posi\u00e7\u00e3o importante na forma\u00e7\u00e3o do bloco. \u201cMarina tem as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao nosso presente e o nosso futuro. E a disposi\u00e7\u00e3o por uma rotina de di\u00e1logo das nossas for\u00e7as, para formarmos uma frente n\u00e3o oportunista, honesta, decente\u201d, diz Ciro. O pedetista faz quest\u00e3o de ressaltar que o isolamento do PT n\u00e3o \u00e9 o objetivo do grupo. \u00c9 uma consequ\u00eancia. \u201cNossa tarefa n\u00e3o \u00e9 se contrapor ao PT. Mas achamos que a hegemonia pouco cr\u00edtica do PT j\u00e1 deu. Passou da conta e fez muito mal ao Brasil. N\u00e3o existiria Bolsonaro sem o antipetismo, que foi introduzido por ele\u201d. H\u00e1 30 anos, quando se escrevia a Constitui\u00e7\u00e3o, o soci\u00f3logo Paulo Delgado integrava a bancada do PT. No final do governo Lula, afastou-se do partido, e hoje, de longe, percebe os erros da sigla e critica seus m\u00e9todos. \u201cOs demais partidos de centro-esquerda est\u00e3o isolando o PT porque nada ganharam fazendo oposi\u00e7\u00e3o do jeito petista. Esse jeito foi rejeitado pelas urnas. Ou o PT entende esses sinais ou vai sucumbir\u201d, avalia ele. \u201cSe o PT n\u00e3o quer ouvir Cid Gomes, que escute pelo menos Mano Brown\u201d. Como resume bem o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) \u201ca estrela envelheceu\u201d. Para os brasileiros, o novo para\u00edso n\u00e3o a comporta mais.<\/p>\n<h4>Entrevista \u2013 Ciro Gomes<\/h4>\n<p>Quinze dias depois da elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, Ciro Gomes voltou a Brasilia para comandar uma reuni\u00e3o do PDT e reorganizar a centro-esquerda. Na quarta-feira 7, um dia ap\u00f3s completar 61 anos, concedeu entrevista exclusiva \u00e0 ISTO\u00c9<\/p>\n<p>As conversas que v\u00eam acontecendo entre o PDT e outros partidos da centro-esquerda visam formar uma oposi\u00e7\u00e3o que se contraponha ao PT?<br \/>\nPrecisamos deixar claro. Nossa tarefa n\u00e3o \u00e9 se contrapor ao PT. N\u00e3o temos nada contra o PT e nenhuma necessidade de fazer vendetta. Agora, a hegemonia pouco cr\u00edtica que o PT exerce h\u00e1 um temp\u00e3o j\u00e1 deu. O que buscamos \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es de trabalhar uma oposi\u00e7\u00e3o ao novo governo de uma forma mais propositiva e independente dessa postura hegem\u00f4nica do PT.<\/p>\n<p><strong>Por que isso \u00e9 importante?<\/strong><br \/>\nPorque o que aconteceu \u00e9 resultado da forma como o PT construiu. O PT criou Bolsonaro. N\u00e3o existiria Bolsonaro sem o antipetismo. E o antipetismo \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o a um tipo de discurso e de comportamento que o PT criou. Temos que ultrapassar isso.<\/p>\n<p><strong>E como se daria esse novo modelo de oposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o vemos a democracia em risco como v\u00ea o PT. N\u00f3s reconhecemos a legitimidade da vit\u00f3ria de Bolsonaro. Queremos que ele acerte a m\u00e3o. Pelo menos por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em risco da institucionalidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 preciso ficar alerta?<\/strong><br \/>\nO que propomos \u00e9 um permanente di\u00e1logo entre as for\u00e7as progressistas para proteger a institucionalidade democr\u00e1tica e o interesse nacional.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preocupante, por exemplo, que haja j\u00e1 um conjunto de arestas desnecess\u00e1rias.O qu\u00ea, por exemplo?<\/strong><br \/>\nO discurso que minimiza a import\u00e2ncia do Mercosul e de importantes parceiros comerciais. O discurso sobre a China, que provocou um dur\u00edssimo editorial de um jornal chin\u00eas. A quest\u00e3o de Israel, gerando uma dura rea\u00e7\u00e3o do Egito, em torno de algo que nem chegou mesmo a ser discutido de forma oficial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a oposi\u00e7\u00e3o, Ciro Gomes \u00e0 frente, constr\u00f3i um novo e propositivo modelo de contraponto ao futuro governo, livre do \u201cquanto pior, melhor\u201d e das amarras autorit\u00e1rias impostas pelo petismo A chuva batia forte. Das telhas do pr\u00e9dio t\u00e9rreo da sede do PDT em Bras\u00edlia ecoava um som retinente, por vezes quase ensurdecedor. 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