{"id":6312,"date":"2018-11-22T10:36:37","date_gmt":"2018-11-22T07:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6312"},"modified":"2018-11-28T17:37:49","modified_gmt":"2018-11-28T14:37:49","slug":"bom-sinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/bom-sinal\/","title":{"rendered":"Bom sinal"},"content":{"rendered":"<h3>N\u00e3o se sabe se o esfor\u00e7o ser\u00e1 bem-sucedido, mas Jair Bolsonaro tem demonstrado, na montagem de seu Minist\u00e9rio, que est\u00e1 mesmo disposto a acabar com o presidencialismo de coaliz\u00e3o<\/h3>\n<p>Uma parte consider\u00e1vel das desventuras nacionais tem origem no chamado presidencialismo de coaliz\u00e3o, que vigora no Pa\u00eds, com maior ou menor for\u00e7a, h\u00e1 cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas. Esse sistema, como se sabe, \u00e9 consequ\u00eancia do fato de que nenhum partido, nem mesmo o do presidente da Rep\u00fablica, consegue eleger mais do que 20% do Congresso, obrigando o chefe do Executivo a construir maioria por meio de negocia\u00e7\u00f5es com os muitos partidos e, n\u00e3o raro, diretamente com deputados e senadores. Essa combina\u00e7\u00e3o frequentemente se d\u00e1 n\u00e3o em termos de propostas ou ideias para o Pa\u00eds, e sim no simples toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1 de cargos e verbas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Pa\u00eds assistiu, entre o at\u00f4nito e o enojado, ao mais desbragado loteamento da m\u00e1quina p\u00fablica entre os partidos e pol\u00edticos que \u2013 diga-se em portugu\u00eas claro \u2013 venderam seus votos em troca de vagas no governo. No mandarinato lulopetista, o presidencialismo de coaliz\u00e3o atingiu o estado da arte, sendo mais bem definido como presidencialismo de coopta\u00e7\u00e3o \u2013 em que o Executivo pagou por apoio no Congresso e franqueou aos partidos de sua base o acesso aos cofres de empresas estatais e a negociatas em geral, num amplo esquema de corrup\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou como mensal\u00e3o e terminou como petrol\u00e3o.<\/p>\n<p>O impeachment da presidente Dilma Rousseff interrompeu esse festim, em grande medida por press\u00e3o irresist\u00edvel da opini\u00e3o p\u00fablica, conforme se viu em imensas manifesta\u00e7\u00f5es de rua contra a corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, o candidato \u00e0 Presid\u00eancia que defendeu com maior vigor o fim desse sistema pol\u00edtico, conforme demandava a maioria dos cidad\u00e3os cansados da roubalheira e da avacalha\u00e7\u00e3o do Congresso, acabou vencendo a elei\u00e7\u00e3o de outubro. Desde ent\u00e3o, Jair Bolsonaro, o presidente eleito, tem demonstrado, na montagem de seu Minist\u00e9rio, que est\u00e1 mesmo disposto a acabar com o presidencialismo de coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>Dos escolhidos por Bolsonaro para o primeiro escal\u00e3o do governo at\u00e9 ontem, apenas tr\u00eas s\u00e3o parlamentares \u2013 os deputados Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Henrique Mandetta (Sa\u00fade). O fato de os tr\u00eas serem do DEM, segundo o presidente eleito, n\u00e3o significa que a indica\u00e7\u00e3o tenha como objetivo obter o apoio daquele partido. O presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmou que \u201cas indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o do DEM\u201d. Bolsonaro explicou que Onyx Lorenzoni j\u00e1 estava em sua equipe desde a campanha, enquanto Tereza Cristina e Henrique Mandetta foram indica\u00e7\u00f5es das frentes parlamentares da Agricultura e da Sa\u00fade, respectivamente.<\/p>\n<p>Assim, Bolsonaro sinaliza que sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 articular apoio n\u00e3o de partidos, mas dos agrupamentos suprapartid\u00e1rios no Congresso, que seriam mais coesos que as bancadas partid\u00e1rias por defenderem interesses espec\u00edficos de setores da sociedade e por n\u00e3o se submeterem a este ou \u00e0quele cacique partid\u00e1rio. A l\u00f3gica sugere que, nesses termos, a coaliz\u00e3o se dar\u00e1 por meio da negocia\u00e7\u00e3o de uma agenda pol\u00edtica e administrativa comum, e n\u00e3o como consequ\u00eancia da distribui\u00e7\u00e3o de vagas no governo e nas estatais.<\/p>\n<p>O sistema vigente, \u00e9 claro, reagiu. Os partidos do chamado \u201ccentr\u00e3o\u201d, que se julgam preteridos por Bolsonaro na forma\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio, j\u00e1 mandaram avisar, segundo informa o Estado, que v\u00e3o sabotar o futuro governo na vota\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia. Tal amea\u00e7a, mesmo que d\u00ea em nada, serve para confirmar a natureza delet\u00e9ria do presidencialismo de coaliz\u00e3o e o acerto do presidente eleito em tentar desmontar esse mecanismo.<\/p>\n<p>Para a turma acostumada ao fisiologismo desbragado, pouco importa se a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 inadi\u00e1vel diante do iminente colapso das contas p\u00fablicas. O que interessa \u00e9 tentar manter o governo como ref\u00e9m de suas demandas, quase sempre relacionadas a interesses escusos que fazem da atividade parlamentar um lucrativo ramo de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe se o esfor\u00e7o do futuro governo em dar um basta no presidencialismo de coaliz\u00e3o ser\u00e1 bem-sucedido, pois se trata de tarefa espinhosa e apenas iniciada, mas \u00e9 preciso louvar a tentativa de demonstrar que, ao contr\u00e1rio do que parece, \u00e9 poss\u00edvel governar o Pa\u00eds sem o recurso ao contub\u00e9rnio com os lambazes do Congresso.<\/p>\n<p>Fonte: ESTAD\u00c3O<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se sabe se o esfor\u00e7o ser\u00e1 bem-sucedido, mas Jair Bolsonaro tem demonstrado, na montagem de seu Minist\u00e9rio, que est\u00e1 mesmo disposto a acabar com o presidencialismo de coaliz\u00e3o Uma parte consider\u00e1vel das desventuras nacionais tem origem no chamado presidencialismo de coaliz\u00e3o, que vigora no Pa\u00eds, com maior ou menor for\u00e7a, h\u00e1 cerca de tr\u00eas&#8230; <\/p>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/bom-sinal\/\" class=\"excerpt-read-more\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-6312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6312"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6315,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312\/revisions\/6315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}