{"id":6304,"date":"2018-11-26T10:26:21","date_gmt":"2018-11-26T07:26:21","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6304"},"modified":"2018-11-28T17:31:10","modified_gmt":"2018-11-28T14:31:10","slug":"a-volta-do-otimismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/a-volta-do-otimismo\/","title":{"rendered":"A volta do otimismo"},"content":{"rendered":"<h3>Economia come\u00e7a a dar sinais de melhora, e o an\u00fancio de nomes tarimbados dos setores p\u00fablico e privado para cargos-chave do novo governo entusiasma mercado<\/h3>\n<p>O governo de Jair Bolsonaro ainda n\u00e3o come\u00e7ou, mas j\u00e1 pode contar com uma boa not\u00edcia. A economia brasileira ensaia finalmente um movimento de recupera\u00e7\u00e3o consistente, com a volta gradual da confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores, depois de um quadri\u00eanio de recess\u00e3o profunda seguida de baixo crescimento. Mais do que isso: tanto o mercado financeiro quanto o empresariado est\u00e3o animados e confiantes para 2019, o que pode se tornar uma profecia autorrealiz\u00e1vel: otimistas, financistas e executivos abrem a m\u00e3o para contratar e investir, o que por si s\u00f3 ajuda a empurrar o crescimento do pa\u00eds. Bancos e consultorias come\u00e7am a revisar para cima a proje\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o do produto interno bruto (PIB) em 2019 \u2014 o consenso no mercado aponta uma alta de 2,5%, que, se confirmada, ser\u00e1 o melhor resultado em seis anos. Trata-se de um fen\u00f4meno avalizado por uma s\u00e9rie de indicadores e acontecimentos nas \u00faltimas semanas. Entre os fatores mais significativos que trazem \u00e2nimo ao setor privado est\u00e1 a composi\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica do novo governo com profissionais experientes e tarimbados nos cargos-chave: \u00e9 a sinaliza\u00e7\u00e3o de que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, ter\u00e1 for\u00e7a e autonomia para implementar suas ideias, neutralizando, por ora, as suspeitas de que o estatismo hist\u00f3rico de Bolsonaro poderia prevalecer no governo.<\/p>\n<p>Guedes pretende imprimir medidas para melhorar o ambiente de neg\u00f3cios sem abrir m\u00e3o de pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias respons\u00e1veis. Ser\u00e1 o grande teste de Bolsonaro no campo econ\u00f4mico. A prioridade, obviamente, \u00e9 a reforma da Previd\u00eancia, sem a qual o pr\u00f3ximo governo n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es a curto e m\u00e9dio prazo de reequilibrar as finan\u00e7as p\u00fablicas \u2014 e isso pode minar o otimismo que est\u00e1 se espalhando. Com as contas no vermelho, ser\u00e1 invi\u00e1vel melhorar a qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos em \u00e1reas fundamentais como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Com uma equipe econ\u00f4mica de peso, Bolsonaro e Guedes ganham tempo e for\u00e7a para entregar resultados. O voto de confian\u00e7a dado por investidores, analistas e empres\u00e1rios deve se estender ao menos at\u00e9 o fim do primeiro semestre de 2019. Mas o fato \u00e9 que o retorno do otimismo j\u00e1 se faz sentir no mercado financeiro e na economia real do pa\u00eds. Desde meados de setembro, quando a perspectiva de vit\u00f3ria de Bolsonaro se tornou mais clara, o principal \u00edndice de a\u00e7\u00f5es da bolsa brasileira subiu 17%, enquanto o d\u00f3lar caiu 10% em rela\u00e7\u00e3o ao real. \u201cVemos ainda espa\u00e7o para otimismo crescente. Em grande medida, tal crescimento, especialmente nos pr\u00f3ximos dezoito meses, n\u00e3o depende da pol\u00edtica \u2014 basta n\u00e3o atrapalhar\u201d, escreveu em relat\u00f3rio recente um dos mais respeitados gestores de ativos do pa\u00eds, Luis Stuhlberger, do Fundo Verde. Eis um ponto fundamental: n\u00e3o atrapalhar, um imperativo aparentemente desconhecido no Congresso (veja o quadro abaixo).<\/p>\n<p>A bolsa brasileira, a B3, passou os \u00faltimos meses em compasso de espera, sem grandes movimenta\u00e7\u00f5es, por causa da incerteza eleitoral. Com a vit\u00f3ria de Bolsonaro, cerca de trinta companhias j\u00e1 se mexem para realizar ofertas de a\u00e7\u00f5es em 2019. A Tivit, de tecnologia, o banco BMG, a Centauro, varejista de artigos esportivos, a Bio Ritmo, de academias, e a Neoenergia, do setor el\u00e9trico, s\u00e3o algumas das candidatas a estrear no preg\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Originalmente o fiador da credibilidade do futuro governo na \u00e1rea econ\u00f4mica, Paulo Guedes teve carta branca para preencher os cargos-chave at\u00e9 agora. Ele conseguiu emplacar at\u00e9 mesmo profissionais a quem seu chefe tem restri\u00e7\u00f5es \u2014 \u00e9 o caso de Joaquim Levy, que, a despeito de ter sido ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, vai assumir o BNDES. A escolha de nomes experientes ou de mercado, em detrimento de indica\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos aliados, \u00e9 um sinal de que o presidente eleito pretende seguir em frente com o receitu\u00e1rio econ\u00f4mico ortodoxo. Para o BC, Guedes escolheu Roberto Campos Neto, diretor do Santander no Brasil, com extensa experi\u00eancia no setor financeiro, embora estreante em cargo p\u00fablico. Sua indica\u00e7\u00e3o tem ainda um peso simb\u00f3lico: ele \u00e9 neto de um dos expoentes do liberalismo econ\u00f4mico no Brasil, Roberto Campos, ministro do Planejamento no governo militar nos anos 60. Em tese, a sua escolha anuncia um objetivo de continuidade da elogiada \u2014 e adequadamente discreta \u2014 gest\u00e3o de Ilan Goldfajn, marcada pelo pulso firme com a infla\u00e7\u00e3o e pelo incentivo \u00e0 concorr\u00eancia no setor financeiro. Para a Petrobras, Guedes selecionou Roberto Castello Branco, um economista com ampla experi\u00eancia no campo acad\u00eamico e no setor privado. Ele j\u00e1 foi, inclusive, conselheiro na pr\u00f3pria petroleira. Defende como uma de suas diretrizes no cargo acelerar a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, o que tem reflexos positivos em toda a cadeia de fornecedores do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural. E, apesar de n\u00e3o ter falado no assunto depois de confirmado no cargo, j\u00e1 escreveu artigos no passado favor\u00e1veis \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da BR Distribuidora \u2014 m\u00fasica para os ouvidos do mercado. A Secretaria do Tesouro, respons\u00e1vel pela renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos estados com a Uni\u00e3o, entre outras atribui\u00e7\u00f5es relevantes, vai continuar nas m\u00e3os de Mansueto Almeida, um respeitado especialista em finan\u00e7as p\u00fablicas. \u201cA escolha de nomes reconhecidamente competentes ameniza o temor de que Guedes pudesse se tornar a \u00fanica estrela da equipe econ\u00f4mica\u201d, avalia Adriano Pitoli, da Tend\u00eancias Consultoria.<\/p>\n<p>Finalmente, o fato de um candidato do PT n\u00e3o ter sido eleito, por si s\u00f3, j\u00e1 representou um sinal de al\u00edvio para investidores e empres\u00e1rios, uma vez que um dos eixos do programa de governo derrotado era o fortalecimento do papel do Estado como indutor do crescimento econ\u00f4mico \u2014 e essa desconfian\u00e7a nem mesmo o hist\u00f3rico de modera\u00e7\u00e3o de Fernando Haddad ou seus acenos ao setor privado conseguiram mitigar.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que se diga que o entusiasmo com a equipe econ\u00f4mica vem complementar sinais reais de retomada no Brasil. Um levantamento da consultoria Deloitte com 826 empresas de 32 segmentos da economia \u2014 cujas receitas somadas equivalem a 43% do PIB \u2014 revelou que 97% delas pretendem fazer investimentos no pr\u00f3ximo ano; quase a metade dos entrevistados tem planos de contrata\u00e7\u00e3o. Quatro em cada cinco companhias acreditam que as vendas aumentar\u00e3o no pr\u00f3ximo ano. A pesquisa foi conduzida logo ap\u00f3s o segundo turno e conseguiu captar a defini\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico. \u201cH\u00e1 um n\u00edvel de confian\u00e7a expressivo de que medidas necess\u00e1rias ser\u00e3o tomadas e de que isso vai se refletir nos neg\u00f3cios\u201d, diz Othon Almeida, s\u00f3cio da Deloitte.<\/p>\n<p>Alguns projetos j\u00e1 come\u00e7am a se tornar realidade. No in\u00edcio do m\u00eas, a americana Novelis, l\u00edder mundial em produtos de alum\u00ednio, anunciou um investimento de 650 milh\u00f5es de reais para ampliar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em Pindamonhangaba, no interior paulista. O projeto, que estava em estudo pela matriz desde o fim de 2017, vai elevar em 17% a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de laminados que s\u00e3o utilizados, por exemplo, para a fabrica\u00e7\u00e3o de latinhas de cerveja e refrigerante. \u201cAvaliamos que a economia vai crescer mais nos pr\u00f3ximos anos e precisamos estar prontos para o aumento da demanda\u201d, disse a VEJA Tadeu Nardocci, presidente da Novelis para a Am\u00e9rica do Sul. Em setembro, a japonesa Toyota havia oficializado um investimento de 1 bilh\u00e3o de reais em sua unidade em Indaiatuba, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. A f\u00e1brica \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do Corolla, o seu modelo de autom\u00f3vel que mais vende no pa\u00eds. \u201c\u00c9 encorajador ver que a inten\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores tenha aumentado para o maior n\u00edvel em seis anos, o que oferece alguma esperan\u00e7a de que o desemprego possa come\u00e7ar a cair\u201d, afirma Pollyanna de Lima, economista da consultoria inglesa IHS Markit. Um levantamento conduzido pela consultoria em outubro com 600 companhias que operam no Brasil revelou melhora das expectativas para os neg\u00f3cios nos pr\u00f3ximos doze meses em diferentes aspectos, desde as receitas e a lucratividade at\u00e9 o n\u00edvel de investimento.<\/p>\n<p>No dia a dia, o cidad\u00e3o comum nota os motivos para otimismo, como as lojas cheias. Um estudo da Tend\u00eancias Consultoria d\u00e1 a dimens\u00e3o do avan\u00e7o em alguns segmentos. As vendas de supermercados j\u00e1 cresceram 15% desde o fundo do po\u00e7o atingido na recess\u00e3o e superaram em 5% o melhor momento antes da crise. Retomada parecida vivem as farm\u00e1cias. Um dos principais indicadores da atividade econ\u00f4mica tamb\u00e9m apresenta desempenho robusto: a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis cresceu 10% de janeiro a outubro em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2017, e as vendas subiram ainda mais: 15%. Trata-se de um setor industrial com uma das cadeias produtivas mais longas, o que significa que a receita extra se espalha por uma extensa lista de fornecedores e prestadores de servi\u00e7os. \u201cOs fundamentos est\u00e3o colocados para que a recupera\u00e7\u00e3o, desta vez, seja para valer\u201d, afirma Pitoli, da Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Ele faz refer\u00eancia a uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es que favorecem e explicam a volta do consumo. Tanto o endividamento quanto a inadimpl\u00eancia dos cidad\u00e3os \u2014 tamb\u00e9m de empresas, embora em menor grau \u2014 recuaram aos n\u00edveis anteriores \u00e0 recess\u00e3o. Isso ajuda a explicar por que o volume de cr\u00e9dito concedido pelos bancos a pessoas f\u00edsicas deve encerrar o ano com uma expans\u00e3o de 6% \u2014 e de 12% no caso de empresas. A queda do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao real e da cota\u00e7\u00e3o internacional do petr\u00f3leo nas \u00faltimas semanas d\u00e1 um al\u00edvio expressivo \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, permitindo ao BC segurar a taxa b\u00e1sica de juros, o que favorece o investimento. O petr\u00f3leo mais barato ainda espanta o risco de uma nova greve dos caminhoneiros \u2014 boa not\u00edcia em dobro.<\/p>\n<p>Bolsonaro n\u00e3o foi o primeiro a resistir a press\u00f5es de aliados e apontar nomes estelares para o time econ\u00f4mico. Na realidade, ele repete a f\u00f3rmula adotada pelo presidente Michel Temer, que indicou Henrique Meirelles para o Minist\u00e9rio da Fazenda e Goldfajn para o Banco Central, entre outras escolhas aplaudidas pelo mercado \u2014 mas os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e seus imbricamentos pol\u00edticos atropelaram a retomada. A hist\u00f3ria, por\u00e9m, mostra que n\u00e3o h\u00e1 uma regra. Em 2002, o rec\u00e9m-eleito Luiz In\u00e1cio Lula da Silva apostou em Antonio Palocci como ministro da Fazenda. M\u00e9dico por forma\u00e7\u00e3o, ele havia sido prefeito de Ribeir\u00e3o Preto pelo PT, e n\u00e3o tinha nenhuma experi\u00eancia com pol\u00edtica econ\u00f4mica. Uma vez empossado, Palocci abriu canais de di\u00e1logo com o empresariado e investidores, cercou-\u00adse de economistas de gabarito e acabou se tornando um dos pilares do crescimento estrondoso dos anos seguintes e um darling do mercado \u2014 hoje encarcerado em Curitiba.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m significados simb\u00f3licos nas escolhas de Bolsonaro. Com a defini\u00e7\u00e3o do comando tanto do BNDES como da Petrobras, o n\u00facleo duro do pr\u00f3ximo governo j\u00e1 conta com tr\u00eas egressos da Universidade de Chicago. Guedes e Castello Branco fizeram p\u00f3s-\u00addoutorado por l\u00e1 no fim dos anos 70; no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, Levy tornou-se doutor pela universidade, que \u00e9 o ber\u00e7o do liberalismo econ\u00f4mico moderno. Entre seus principais expoentes est\u00e3o o austr\u00edaco Friedrich von Hayek, Nobel de Economia em 1974, e o americano Milton Friedman, laureado dois anos depois. Um grupo de seus disc\u00edpulos (incluindo colegas de turma de Paulo Guedes) destacou-se ao implantar um programa de abertura da economia, privatiza\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o de impostos, entre outras medidas, durante a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. Seus integrantes entraram para a hist\u00f3ria sob a alcunha de Chicago Boys (Garotos de Chicago, em ingl\u00eas), por terem promovido um forte crescimento do pa\u00eds, num primeiro momento \u2014 e que depois desembocou numa crise severa.<\/p>\n<p>O objetivo declarado de Guedes e sua equipe \u00e9 repetir a primeira parte \u2014 a do sucesso \u2014 da experi\u00eancia chilena. Apesar da boa mar\u00e9, os desafios s\u00e3o muitos. Ser\u00e1 fundamental n\u00e3o subestimar as dificuldades de execu\u00e7\u00e3o do projeto, principalmente aquelas relacionadas \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o no Congresso. Governos anteriores que desfrutaram apoio pol\u00edtico at\u00e9 superior ao de Bolsonaro, caso de Fernando Henrique Cardoso e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ficaram aqu\u00e9m das promessas de reformas. Um eventual fracasso na tentativa de mudar as regras de aposentadoria, por exemplo, pode minar a confian\u00e7a que se deposita no novo governo. Mais que isso, dever\u00e1 inviabilizar o cumprimento da regra do teto para a evolu\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos j\u00e1 em 2020. \u201cAlcan\u00e7ar seus objetivos vai demandar mais do que apenas vontade e senso de prop\u00f3sito; vai exigir habilidade pol\u00edtica para garantir condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de governabilidade e para fazer avan\u00e7ar a agenda de reformas\u201d, escreveu em relat\u00f3rio recente Alberto Ramos, chefe de pesquisas para a Am\u00e9rica Latina do banco americano Goldman Sachs. E a habilidade pol\u00edtica \u00e9 uma prova na qual o novo governo ainda n\u00e3o foi testado. Ou seja: otimismo e confian\u00e7a certamente ajudam, mas uma hora \u00e9 preciso mostrar resultados concretos, ou a mar\u00e9 vira.<\/p>\n<p>A verdadeira resist\u00eancia<br \/>\nOs deputados e senadores que ocupar\u00e3o as cadeiras do Congresso Nacional at\u00e9 31 de janeiro do ano que vem est\u00e3o deixando uma heran\u00e7a maldita \u2014 e cara \u2014 para o pa\u00eds. Nos \u00faltimos meses, o Senado e a C\u00e2mara aprovaram projetos que ampliam as despesas, ou que imp\u00f5em ao governo a ren\u00fancia de receitas. Os efeitos das chamadas \u201cpautas-bom\u00adba\u201d s\u00e3o de longo prazo. O reajuste do sal\u00e1rio dos ministros do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, pode aumentar anualmente as despesas do governo em 5,3 bilh\u00f5es de reais, gra\u00e7as ao efeito cascata \u2014 outras carreiras do Judici\u00e1rio t\u00eam o sal\u00e1rio atrelado aos vencimentos do STF.<\/p>\n<p>Os parlamentares tamb\u00e9m se apressam para aprovar a prorroga\u00e7\u00e3o at\u00e9 2023 das isen\u00e7\u00f5es fiscais para empresas que atuam nos polos industriais regionais, chamados de superintend\u00eancias de desenvolvimento, da Amaz\u00f4nia, do Nordeste e do Centro-Oeste. O custo da medida ultrapassar\u00e1 9 bilh\u00f5es de reais por ano. \u00c9 um agravamento na situa\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria do Or\u00e7amento federal \u2014 n\u00f3 a ser desatado pela equipe econ\u00f4mica de Bolsonaro.<\/p>\n<p>Muitos dos parlamentares que apoiam as medidas que comprometem as finan\u00e7as futuras n\u00e3o se reelegeram e n\u00e3o estar\u00e3o no Congresso para lidar com o problema quando a conta chegar. A taxa de renova\u00e7\u00e3o nas vagas de deputados e senadores foi a maior em vinte anos \u2014 mais de 50%. \u201cIsso ampliou o est\u00edmulo para a discuss\u00e3o de medidas que desrespeitam a responsabilidade fiscal\u201d, analisa Bruno Lavieri, economista da consultoria 4E. Ele lembra que as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o dentro do governo de Michel Temer o deixaram sem for\u00e7a para barrar a evolu\u00e7\u00e3o dessas medidas. A equipe de Bolsonaro tamb\u00e9m tem sido ignorada em rela\u00e7\u00e3o a tais assuntos, ainda que v\u00e1 ser diretamente afetada por seu impacto.<\/p>\n<p>Eun\u00edcio Oliveira, l\u00edder do Senado (e um dos desempregados a partir de fevereiro), tem sido o principal fiador das pautas-bomba. O parlamentar do MDB virou um ponto de conflito com a equipe de Paulo Guedes. Oliveira e o futuro ministro da Economia trocaram farpas publicamente nas \u00faltimas semanas, sobretudo depois que Guedes disse que era preciso dar uma \u201cprensa\u201d no Congresso, mas parece que o pol\u00edtico acabou ganhando a queda de bra\u00e7o. Como se sabe, os estados e munic\u00edpios cresceram o olho nos 130 bilh\u00f5es de reais que o governo deve levantar com o leil\u00e3o dos campos de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal \u2014 e t\u00eam feito press\u00e3o junto ao Congresso a fim de obter autoriza\u00e7\u00e3o legal para abocanhar parte dessa verba. Oliveira, sabendo disso, rendeu-se docemente \u00e0 press\u00e3o dos estados e munic\u00edpios e prometeu lhes dar metade dos 130 bilh\u00f5es, deixando a outra metade com o governo federal. Paulo Guedes n\u00e3o queria a divis\u00e3o dos recursos, pois j\u00e1 contava com o dinheiro para remendar o combalido Or\u00e7amento federal, mas acabou tendo de acei\u00adt\u00e1-la. Ponto para Oliveira.<\/p>\n<p>Somadas, as pautas-bomba \u2014 j\u00e1 aprovadas ou em discuss\u00e3o \u2014 t\u00eam potencial para ampliar o buraco nas contas do governo em mais de 200 bilh\u00f5es de reais nos pr\u00f3ximos anos. \u201cA situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 era complicada o bastante. Agora ser\u00e1 muito dif\u00edcil conseguir cumprir a regra do teto dos gastos j\u00e1 em 2019\u201d, analisa Lavieri. Novos rearranjos, como o corte de investimentos, ter\u00e3o de ser feitos para que o Or\u00e7amento atenda ao limite. A \u00fanica certeza, nesse mar de incertezas, \u00e9 que o Congresso de hoje armou uma armadilha para o governo de amanh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> VEJA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia come\u00e7a a dar sinais de melhora, e o an\u00fancio de nomes tarimbados dos setores p\u00fablico e privado para cargos-chave do novo governo entusiasma mercado O governo de Jair Bolsonaro ainda n\u00e3o come\u00e7ou, mas j\u00e1 pode contar com uma boa not\u00edcia. 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