{"id":6081,"date":"2018-05-04T04:02:52","date_gmt":"2018-05-04T01:02:52","guid":{"rendered":"http:\/\/bbconsultoria.net\/site\/?p=6081"},"modified":"2018-05-09T23:08:03","modified_gmt":"2018-05-09T20:08:03","slug":"o-cipoal-juridico-em-que-se-enredou-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bbconsultoria.net\/site\/o-cipoal-juridico-em-que-se-enredou-o-brasil\/","title":{"rendered":"O cipoal jur\u00eddico em que se enredou o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: <\/strong>Valor<\/p>\n<p>O Brasil tem 180 mil leis federais, 80 milh\u00f5es de processos em tramita\u00e7\u00e3o e 5,5 milh\u00f5es de normas legais nos tr\u00eas n\u00edveis de governo (Federal, Estadual e municipal). A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, com seus 250 artigos e 114 Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias, j\u00e1 teve 99 emendas.<\/p>\n<p>No mapa estrat\u00e9gico da ind\u00fastria, elaborado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) para o per\u00edodo de 2018 a 2022, um dos objetivos \u00e9 melhorar a seguran\u00e7a jur\u00eddica. A meta \u00e9 pelo menos interromper o crescimento de 4,5% (m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos) de normas editadas a cada ano, congelando o estoque atual de 5,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a quantidade de leis que regulam a vida do cidad\u00e3o e das empresas \u00e9 espantosa, a baixa qualidade \u00e9 estarrecedora. Em sua grande maioria, s\u00e3o textos amb\u00edguos, que refor\u00e7am a inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Nenhum brasileiro pode alegar, em sua defesa, o desconhecimento da lei. Mas \u00e9 imposs\u00edvel a um cidad\u00e3o saber se est\u00e1 cumprindo as 180 mil determina\u00e7\u00f5es legais emanadas do poder federal.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tribut\u00e1rio (IBPT), uma boa parte do estoque de normas existentes no pa\u00eds se relaciona a temas tribut\u00e1rios. Estes s\u00e3o uma verdadeira metamorfose ambulante.<\/p>\n<p>Na semana passada, um di\u00e1logo entre o presidente do Chile, Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foi ilustrativo e chegou a causar certo embara\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a Suprema Corte falha, a quem se recorre?&#8221;, perguntou Pi\u00f1era \u00e0 presidente do STF, ministra C\u00e1rmen L\u00facia. Ela e o ministro Edson Fachin, tamb\u00e9m presente ao encontro, responderam que n\u00e3o cabe recurso a uma decis\u00e3o do STF.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o cabe a Deus?&#8221;, insistiu Pi\u00f1era, que estava em visita oficial. Fachin completou: &#8220;A \u00faltima palavra, no sentido amplo e largo, \u00e9 da sociedade&#8221;.<\/p>\n<p>Pi\u00f1era contou que assiste julgamentos do STF que s\u00e3o transmitidos pela TV do Chile e quis saber, ent\u00e3o, se a sociedade poderia revogar uma decis\u00e3o do Supremo. Os ministros responderam que n\u00e3o.<\/p>\n<p>C\u00e1rmen L\u00facia, no encontro de 25 minutos, destacou a intensa carga de trabalho da Corte, que s\u00f3 no ano passado julgou mais de 120 mil processos. Em geral s\u00e3o julgados, em m\u00e9dia, 75 mil processos por ano, informou ela.<\/p>\n<p>&#8220;Com 75 mil processos ao ano, sinto-me mal em tomar seu tempo&#8221;, disse Pi\u00f1era ao despedir-se da presidente do STF. Para julgar esse n\u00famero de processos cada um dos 11 ministros precisaria se debru\u00e7ar sobre 18 processos, diariamente, por 365 dias do ano, sem domingos nem feriados.<\/p>\n<p>Alguns economistas come\u00e7aram a colecionar os extravagantes n\u00fameros da justi\u00e7a brasileira e a refletir sobre as raz\u00f5es do \u00edmpeto regulat\u00f3rio, procurando respostas para a subvers\u00e3o em que se encontram as institui\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Com a judicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e a politiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, o Brasil torna-se um pa\u00eds ingovern\u00e1vel.<\/p>\n<p>Frequentemente esses profissionais se defrontam com perguntas de investidores estrangeiros sobre como funciona a justi\u00e7a no Brasil. O interesse nessa quest\u00e3o h\u00e1 muito extrapolou fronteiras.<\/p>\n<p>Um ex-ministro do STF, indagado por um desses economistas sobre o excessivo detalhamento da Constitui\u00e7\u00e3o, ouviu do magistrado que &#8220;quanto menos a sociedade confia no Poder Judici\u00e1rio, mais detalhistas tendem a ser as leis&#8221;.<\/p>\n<p>Forte defensor da Carta de 1988, o ex-ministro, perguntado das raz\u00f5es para o pa\u00eds estar t\u00e3o mal tendo uma Constitui\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa, para perplexidade do interlocutor, respondeu: &#8220;O problema n\u00e3o est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o, mas nos fatos&#8221;.<\/p>\n<p>O \u00edmpeto para legislar pode ser medido nos 25 mil projetos de lei em tramita\u00e7\u00e3o atualmente no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>A ambiguidade das leis que v\u00e3o para san\u00e7\u00e3o presidencial n\u00e3o \u00e9 gratuita. Ela reflete a fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e a aus\u00eancia de uma vis\u00e3o hegem\u00f4nica no parlamento. Mal escritas, abertas a leituras diversas para contemplar as for\u00e7as pol\u00edticas existentes, as leis acabam no Supremo, que as interpreta ou reinterpreta. O STF passou a legislar.<\/p>\n<p>A imprecis\u00e3o fica clara nas discuss\u00f5es sobre pris\u00e3o ap\u00f3s julgamento em segunda inst\u00e2ncia, na lei da ficha limpa ou agora, com a decis\u00e3o de ontem sobre restri\u00e7\u00e3o ao foro privilegiado. Uma vota\u00e7\u00e3o do Supremo cujo placar \u00e9 de 6 a 5, como foi o caso da pris\u00e3o ap\u00f3s julgamento na segunda inst\u00e2ncia, \u00e9 fruto de uma lei com s\u00e9rios problemas de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, por ocasi\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o da lei da ficha limpa, questionou se ela havia sido redigida por &#8220;b\u00eabados&#8221;. Conforme escrito na lei, Mendes dizia que um profissional que fosse exclu\u00eddo de uma entidade de classe, como a OAB, por alguma raz\u00e3o, &#8220;estaria ineleg\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos economistas que procurou se inteirar dos problemas concluiu que a confus\u00e3o do sistema judici\u00e1rio brasileiro come\u00e7a na mistura de dois regimes jur\u00eddicos &#8211; a &#8220;civil law&#8221;, em que s\u00f3 vale o que est\u00e1 na lei e a &#8220;common law&#8221;, em que a jurisprud\u00eancia \u00e9 baseada nos costumes. Embora no Brasil a estrutura jur\u00eddica seja da &#8220;civil law&#8221;, a pr\u00e1tica tem revelado uma sistem\u00e1tica confus\u00e3o entre ambas. Exemplo: a Constitui\u00e7\u00e3o define fam\u00edlia como a uni\u00e3o est\u00e1vel entre um homem e uma mulher. O STF, por\u00e9m, reconheceu a uni\u00e3o est\u00e1vel entre pessoas do mesmo sexo. Um ambiente em que n\u00e3o se sabe quais s\u00e3o as regras do jogo torna-se hostil para os investimentos que o pa\u00eds tanto precisa.<\/p>\n<p>O diretor da CNI Jos\u00e9 Augusto Fernandes, respons\u00e1vel pelo mapa estrat\u00e9gico da ind\u00fastria, sugere como primeira medida para conter a profus\u00e3o desenfreada de leis, o congelamento do estoque existente (5,5 milh\u00f5es) e a consolida\u00e7\u00e3o de temas em C\u00f3digos. O com\u00e9rcio exterior, que ainda tem normas e regulamentos da d\u00e9cada de 1940, por exemplo, deveria ser consolidado em um s\u00f3 documento.<\/p>\n<p>Em um semin\u00e1rio sobre seguran\u00e7a jur\u00eddica dos contratos, recentemente, o ministro do STF, Luiz Fux, disse: &#8220;Na Fran\u00e7a, tudo \u00e9 permitido. S\u00f3 \u00e9 proibido o que est\u00e1 na lei. Na Alemanha, tudo \u00e9 proibido. S\u00f3 \u00e9 permitido o que est\u00e1 na lei. Na It\u00e1lia, tudo \u00e9 permitido. Inclusive o que \u00e9 proibido na lei. Na R\u00fassia, tudo \u00e9 pribido. Inclusive o que \u00e9 permitido na lei.&#8221;<\/p>\n<p>E no Brasil? Bom, sobre o Brasil o ministro n\u00e3o falou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Valor O Brasil tem 180 mil leis federais, 80 milh\u00f5es de processos em tramita\u00e7\u00e3o e 5,5 milh\u00f5es de normas legais nos tr\u00eas n\u00edveis de governo (Federal, Estadual e municipal). A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, com seus 250 artigos e 114 Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias, j\u00e1 teve 99 emendas. 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